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TCU aponta Mato Grosso entre os estados mais atingidos por intoxicação por metanol

Auditoria revela que Estado registrou cinco mortes por consumo de bebidas adulteradas e identifica falhas na fiscalização e integração entre órgãos públicos

Mato Grosso está entre os estados brasileiros mais afetados pela crise de intoxicação causada pelo consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. É o que revela uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que avaliou a atuação dos órgãos responsáveis pela prevenção e combate à adulteração de destilados no país.

O levantamento aponta que, além de Mato Grosso, os estados mais impactados foram São Paulo — considerado o epicentro da emergência sanitária —, Pernambuco, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul.

Entre setembro e dezembro de 2025, o Brasil registrou 890 notificações de intoxicação por metanol relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas. Deste total, 73 casos foram confirmados, outros 29 permaneceram como suspeitos e 22 pessoas morreram em decorrência da contaminação.

Em Mato Grosso, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), foram registradas 16 notificações, das quais sete foram confirmadas e nove descartadas. Cinco pessoas morreram após ingerirem bebidas contaminadas com metanol.

Os óbitos ocorreram nos municípios de Itanhangá, Várzea Grande, Nova Brasilândia e Querência, onde foram registradas duas mortes.

Auditoria identificou falhas

A auditoria foi determinada pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, para verificar como os órgãos federais responsáveis vêm atuando no controle da produção, comercialização e fiscalização de bebidas alcoólicas.

Segundo o tribunal, embora a adulteração represente apenas uma pequena parcela do mercado clandestino, seus efeitos são extremamente graves.

“Embora a adulteração represente parcela reduzida do mercado em termos de volume, seus impactos são graves, atingindo diretamente a vida, a saúde e a segurança da população”, destaca o relatório, relatado pelo ministro Bruno Dantas.

O trabalho analisou as ações desenvolvidas entre 2023 e 2025 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura (Mapa) e Ministério da Saúde.

Entre os principais problemas encontrados estão:

– ausência de mecanismos para impedir o desvio de etanol utilizado na adulteração de bebidas;
– falhas nos sistemas de registro e controle dos produtos;
– pouca integração entre os órgãos de fiscalização;
– dificuldades para implementar ações preventivas baseadas em análise de risco.

Na avaliação do TCU, o país ainda atua de forma predominantemente reativa, entrando em ação apenas após a ocorrência de surtos.

Mercado ilegal movimenta bilhões

O relatório também chama atenção para a dimensão econômica do mercado clandestino de bebidas.

Segundo o TCU, o setor de bebidas alcoólicas movimenta aproximadamente 12 bilhões de litros por ano, com faturamento estimado em R$ 303 bilhões.

Desse total, cerca de 30% das bebidas comercializadas no Brasil são ilegais, provocando perdas econômicas e fiscais de aproximadamente R$ 85 bilhões por ano.

Embora a adulteração com metanol represente cerca de 4% do mercado clandestino, o tribunal considera esse tipo de fraude um dos maiores riscos à saúde pública devido ao elevado potencial de intoxicação e morte.

Estoque de antídotos

Durante a auditoria, o Ministério da Saúde informou que, após a crise registrada em 2025, todos os estados passaram a contar com estoques estratégicos de antídotos para o tratamento da intoxicação por metanol, além do reforço na capacidade de diagnóstico e monitoramento dos casos.

Em Mato Grosso, seis pacientes receberam o medicamento utilizado para neutralizar os efeitos da substância tóxica.

Recomendações

Ao concluir o trabalho, o TCU afirmou que o principal problema não está na ausência de legislação, mas na deficiência da coordenação entre os órgãos responsáveis pela fiscalização.

Por isso, o tribunal emitiu recomendações à Anvisa, ao Ministério da Agricultura, à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e à Receita Federal para fortalecer a fiscalização, ampliar o compartilhamento de informações e aperfeiçoar os mecanismos de prevenção à adulteração de bebidas alcoólicas.

A expectativa é que as medidas reduzam o risco de novos surtos de intoxicação e aumentem a proteção da saúde dos consumidores em todo o país.

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