sábado, 18 abril 2026
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Produtor de Mato Grosso já paga 29% a mais pelo litro de diesel

Acompanhamento do Imea indica média de R$ 7,47 por litro no valor do combustível. Compras de adubos estão atrasadas, e, se preço continuar elevado, custo será alto

A Petrobras ainda não mexeu nos preços do diesel, mas o produtor agrícola de Mato Grosso já paga 29% a mais por esse combustível, em pleno período de colheita de soja e início de plantio do milho. O estado não relata dificuldades no fornecimento do diesel no campo, como casos já registrados no Rio Grande do Sul e no Paraná, mas sofre com o preço do combustível, que foi a R$ 7,47 por litro, valor distante dos R$ 5,80 da segunda quinzena de fevereiro.

Os produtores do estado estavam fazendo as contas como poderiam ser afetados, no médio prazo, pela alta dos fertilizantes, mas não contavam com a expressiva elevação do diesel em tão pouco tempo. “As preocupações gerais que temos são com os fertilizantes, uma vez que iríamos começar a negociar volumes maiores a partir de agora”, diz Cleiton Gauer, superintendente do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Segundo ele, a maior parte das importações ocorre no segundo semestre, mas a entrada desse fertilizante depende das compras de agora. O produtor provavelmente vai postergar as aquisições para fugir dessa aceleração inicial dos preços, mas, se os preços não caírem, pagará mais pelo fertilizante lá na frente

Além da preocupação com o fertilizante, o setor foi surpreendido por esse aumento imediato de 29% do diesel. “Vamos começar uma movimentação para avaliar com o Procon e com a Secretaria da Fazenda esse aumento tão acelerado e não justificado”, diz Gauer. O Imea constatou o aumento de preços do diesel nos TRRs (transportador, revendedor e retalhista). São empresas que têm autorização da ANP para comprar combustível a granel e revender para produtores.

O instituto fez um estudo apontando que “eventuais instabilidades que afetem a produção ou a logística, especialmente em corredores como o estreito de Hormuz, por onde transita parcela significativa das exportações globais de petróleo e de gás natural liquefeito, podem gerar restrições de oferta, aumento dos custos de frete e maior volatilidade nos preços internacionais”.

O relatório aponta risco de encarecimento dos insumos no mercado interno, formação de gargalos logísticos, atrasos nas entregas e impactos diretos sobre o custo de produção e a rentabilidade do produtor.

Rússia, Omã e Arábia Saudita lideraram a exportação mundial de ureia, seguidos por Egito e Argélia, o que evidencia a concentração de boa parte da produção desses insumos nessa área de conflito. Já os maiores importadores são Brasil, Índia e Estados Unidos, refletindo a dependência dessas economias agrícolas por fertilizantes nitrogenados.

Entre os principais fornecedores de fertilizantes nitrogenados para o Brasil estão China, Rússia, Nigéria, Omã, Qatar e Arábia Saudita, e os três últimos estão na área do conflito, respondendo por 14% das importações totais brasileiras desse tipo de insumo. Entre os fosfatados, Egito e Israel forneceram 40% no ano passado. Mato Grosso busca 7,1% dos nitrogenados em Qatar, Emirados Árabes e Omã, e compra 58,9% dos fosfatados no Egito e em Israel.

A compra de fertilizantes para a safra 2026/27 de milho em Mato Grosso está em 6%, abaixo do patamar da anterior, o que deixa o produtor mais exposto nas compras futuras, se houver uma manutenção dos preços elevados. Os produtores de soja, com comercialização de apenas 33% da safra, também postergam as aquisições, e poderão sofrer os mesmos efeitos.

A conta virá salgada. Apenas após o conflito, a ureia já subiu 30,65% no Brasil, para US$ 618 por tonelada. “A cada 10% de aumento no preço por ponto do nitrogênio gera um aumento de 1,8 saca por hectare no custeio, e de de 1,97 saca por hectare no COE (custo operacional efetivo) do milho. Alta de 30% pode ampliar o COE em aproximadamente 5,9 sacas por hectare”, afirma o estudo do Imea.

APROSOJA – O campo mato-grossense acompanha com grande preocupação a recente elevação do preço do óleo diesel observada em diversas regiões do país. O aumento ocorre em um momento particularmente delicado para os produtores rurais, que já enfrentam custos elevados de produção, escassez e encarecimento do crédito, endividamento em patamares históricos e margens comprimidas. Esses fatores já conhecidos, agora agravados pelo aumento do preço dos combustíveis, geram o efeito de uma fagulha em um quarto cheio de explosivos.

“O diesel é um insumo estratégico para o Brasil. Ele movimenta máquinas no campo, transporta insumos, garante o escoamento da produção e sustenta grande parte da logística nacional, fortemente baseada no transporte rodoviário. Quando o preço do combustível sobe de forma abrupta, o impacto não se restringe ao produtor rural: ele se espalha por toda a economia e chega rapidamente à mesa do consumidor”, defende o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber.

Embora existam componentes técnicos relevantes na formação do preço, como a variação do petróleo no mercado internacional, especialmente o indicador Brent, chama atenção a rapidez com que choques externos têm sido repassados às bombas. “É impossível não observar que, em determinados momentos, alguns elos da cadeia parecem se antecipar aos ajustes efetivos, ampliando margens e potencializando a pressão sobre os preços internos”, exclama a entidade.

O cenário atual também evidencia uma fragilidade estrutural que o país precisa enfrentar com seriedade, conforme a Aprosoja MT. Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o Brasil ainda não é autossuficiente em diesel, e parcela significativa do combustível consumido internamente depende de importações. “Essa dependência expõe a economia nacional às oscilações do mercado internacional e aos efeitos de conflitos geopolíticos, que frequentemente chegam ao país na forma de aumento de custos”.

DECISÃO ESTRATÉGICA – Reduzir gradualmente essa vulnerabilidade deve ser um objetivo estratégico do Brasil, pontua a entidade. Nesse contexto, o fortalecimento da política de biocombustíveis representa uma oportunidade concreta. O aumento da mistura de biodiesel ao diesel é uma alternativa consistente para ampliar a segurança energética, reduzir a dependência de importações e valorizar uma matéria-prima que o país produz em larga escala: a soja.

A perspectiva de avanço para a mistura B17 já está colocada no debate nacional. No entanto, diante da ampla disponibilidade de óleo vegetal e da capacidade instalada do setor, é razoável discutir metas ainda mais ambiciosas, como a evolução para o B20, ampliando o uso de um combustível renovável produzido no próprio país.

Ao mesmo tempo, diante de choques internacionais abruptos como o atual, é legítimo discutir medidas emergenciais de mitigação dos impactos econômicos. O Brasil já utilizou instrumentos tributários para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre a sociedade. Em 2022, tributos federais foram zerados e diversos estados reduziram a alíquota de ICMS sobre esses produtos, demonstrando que a política tributária pode ser utilizada de forma temporária e responsável para enfrentar situações excepcionais.

“O aumento do diesel não afeta apenas o produtor rural. Ele pressiona o transporte, encarece alimentos, medicamentos e produtos essenciais e tende a gerar forte impacto inflacionário. Em um ambiente já marcado por juros elevados, a combinação entre inflação de custos e restrição monetária forma uma equação particularmente nociva para a atividade econômica. Reduzir vulnerabilidades externas, fortalecer a produção nacional de biocombustíveis e adotar medidas fiscais temporárias que protejam a economia em momentos críticos são passos fundamentais para garantir estabilidade econômica, competitividade produtiva e segurança para toda a sociedade brasileira. É hora de o Poder Executivo agir, tanto em nível federal quanto estadual, e demonstrar a sensibilidade que o momento exige”, frisa Beber.

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