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Moeda única do Mercosul: quais as vantagens e desvantagens&#63

 

Com um novo ministro da Fazenda no comando (Fernando Haddad), é esperado que alguns assuntos novos e outros não tão inéditos assim surjam na agenda econômica do país. E uma das pautas mais debatidas até aqui é a eventual adoção de uma moeda comum para o Mercosul.

Na primeira semana de janeiro, o ministro da Fazenda, recebeu o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, para discutir uma série de assuntos voltados para a relação das nações.

Segundo Scioli, a adesão do câmbio tem como objetivo integrar o bloco econômico comercial e fortalecer o vínculo entre os países que compõem o Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela – suspensa, até então.

O diplomata ainda garantiu, em coletiva de imprensa, que “não significa que cada país não tenha sua moeda. Significa uma unidade para integração e aumento do intercâmbio comercial no bloco regional. E, como disse o presidente Lula, fortalecer o Mercosul e ampliar a união latino-americana é muito importante”.

 

A criação de uma moeda única para o Mercosul possui vantagens e desvantagens.A criação de uma moeda única para o Mercosul possui vantagens e desvantagens.Fonte:  Shutterstock 

Vale lembrar que Haddad disse, no evento de posse de Simone Tebet, que não há proposta sobre a criação de uma moeda única, semelhante ao Euro, por exemplo.

Entretanto, o projeto não é novidade e já fez aparições anteriores nos primeiros governos do presidente Lula e na gestão passada, encabeçada por Jair Bolsonaro. Mas afinal de contas, uma moeda única Mercosul valeria a pena? Vamos entender.

O que é uma moeda única e como afetaria o Brasil?

Esse modelo monetário faz com que países abram mão de sua moeda vigente em prol de uma mesma moeda oficial como meio de pagamento, servindo para transações comerciais dentro e fora de suas fronteiras.

Fabio Passos, CIO da gestora de investimentos CA Indosuez, conta que a ideia não é novidade por aqui e começou a ser discutida após o êxito do euro.

“A história da moeda única não é nova. Desde o início do Mercosul, a moeda começou a ser discutida até levando em conta a experiência do euro. Agora, se na época essa integração monetária foi debatida, pelo que eu entendi, a atual discussão não aconteceria. Ou seja: se na época a ideia era substituir as moedas locais por essa moeda única, hoje seria uma espécie de moeda de transação entre os países.”

Aprofundando a questão continental, o analista político e especialista em economia e estratégia na London School of Economics and Political Science, Jeulliano Pedroso, explica que o impacto de uma moeda única do Mercosul dependeria do perfil adotado, mas que dificilmente beneficiaria o Brasil.

“Pensando em América do Sul, o país economicamente mais forte daqui é o Brasil, então ele seria o principal país de lastro (garantia de valor) dessa situação econômica. O Brasil absorveria o risco, inclusive, de países menores. Então, o país sofreria bastante. Se você pensa agora em uma moeda de ampla circulação, em que os países precisariam abrir mão de seus bancos centrais, o Brasil perde, inclusive, instrumento monetário, de trabalhar a própria taxa de juros e de utilizar o controle da inflação.” 

 

Fernando Haddad em encontro com Daniel ScioliFernando Haddad em encontro com Daniel Scioli.Fonte:  Reprodução/Redes sociais 

Pedroso ainda compara o cenário brasileiro com nações vizinhas que possivelmente poderiam aderir à nova moeda. “Veja só, você tem inflações muito diferentes entre os países daqui da América do Sul. A Argentina tem processo inflacionário muito mais acelerado do que o Brasil. A Venezuela, mesmo estando suspensa do Mercosul, também tem processo inflacionário bem alto. Então você pensa que o Brasil teria que absorver tudo isso”.

Mesmo que o real seja mantido em uma eventual adesão, Passos afirma que o modelo ainda não faria sentido, uma vez que o dólar tem grande influência como moeda transacional. Ele explica:

“Se olharmos pela ótica atual de ser uma moeda transacional, não faz o mínimo sentido, dado que essa moeda transacional já existe: é o dólar! Então, não consigo entender o racional. No Caribe, por exemplo, existe uma moeda caribenha unindo alguns países… que é indexada ao dólar, aliás. Então fazer uma moeda entre Argentina e Brasil acabaria indo pelo mesmo caminho. Uma moeda única como foi no Euro não faz sentido algum, como moeda transacional faz menos sentido ainda.”

Quais as vantagens e desvantagens de uma possível moeda única no Mercosul?

As vantagens estariam justamente na aceitação da moeda nos países membros. O economista e professor da Universidade Tecnológica do Paraná, Marcos Rambalducci, explica que a moeda única do Mercosul torna as transações econômicas muito mais fáceis, pois não há a necessidade de fazer cálculos para transformar preços de um país em moeda de outra nação, ou seja, fazer o câmbio.

“Essas transações econômicas seriam facilitadas, além de baratear os custos, é um incentivo para que estas economias aprofundarem relações comerciais, melhorando o desempenho econômico dos participantes.”

A Zona do Euro é o bloco mais famoso a utilizar um sistema de moeda únicaA Zona do Euro é o bloco mais famoso a utilizar um sistema de moeda única.Fonte:  AFP/Reprodução 

Já em relação às desvantagens, Rambalducci diz que há grandes problemas a serem superados, caso os países optem por ter uma moeda única, especialmente no que diz respeito a harmonizar as diferenças entre os diversos integrantes deste bloco.

“Cada pais tem sua própria estrutura de custos, nível de endividamento, dependência de outras moedas estrangeiras, etc. Estes países terão que contar com um Banco Central único que determinará a política monetária para o bloco. Isso é motivo de muitos conflitos entre as economias. Pois se trata de juntar em uma mesma economia, varias economias diferentes.”

Realmente será implantado uma moeda única no Mercosul?

A economista e professora do curso de economia da Universidade Positivo, Cintia Rubim, detalha que essa resposta ainda está no âmbito da discussão. “Não há nenhuma proposta mais clara ou detalhada, mas a discussão, sim, voltou à tona agora, e aí vamos ter que aguardar um pouco para ter respostas. Como é que o novo governo vai lidar com isso?”, indaga.

Recentemente, a última declaração de Fernando Haddad sobre o projeto foi dada dois dias após o encontro com o embaixador argentino. O ministro da Fazenda foi questionado por jornalistas sobre a possível implementação do modelo monetário e, irritado, Haddad disse enfaticamente que “não existe uma moeda única, não existe essa proposta, vai se informar primeiro!”.

Um ano atrás, o atual mandatário da pasta da economia escreveu um artigo defendendo o uso de uma moeda unificada no Mercosul, visando fortalecer a soberania monetária e ampliar a integração dos países sul-americanos.

Quais outros blocos econômicos utilizam moeda única?

Ainda de acordo com a professora Cintia Rubim, atualmente temos os 20 países da Zona do Euro, que são os mais conhecidos por adotarem esse modelo de moeda única. O acordo foi estabelecido em 1999 e atualmente é a segunda maior economia do mundo.

Além deles, a África também possuí um grupo de 14 países que utilizam o sistema unificado desde 1945. A moeda é o Franco CFA (Colonies Françaises d’Afrique, ou colônias francesas da África, em livre tradução).

Em 2019, no entanto, a França e oito países africanos anunciaram um acordo para encerrar a moeda — que remete ao período colonial —, e dar vez ao ECO. A transição de moeda comum acabou sendo adiada para 2027 devido à pandemia de coronavírus e outros fatores que implicam na substituição.

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