Em junho deste ano, Mato Grosso ficou livre da seca após entrar, em 2021, no Mapa do Monitor de Secas, sistema coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (Ana) para acompanhamento contínuo do grau de severidade do fenômeno no país, que teve a menor área afetada desde dezembro de 2023.
Após quatro anos, é a primeira vez que 100% do território mato-grossense não enfrenta a falta de chuva ao longo do mesmo mês, conforme a mais recente atualização do Monitor de Secas divulgada na semana passada pela Ana. Esse cenário também foi verificado no Amapá.
No país, entre maio e junho, o mapa revela que, em termos de severidade, o fenômeno diminuiu consideravelmente em todas as cinco regiões, sendo que em junho, 44% do território brasileiro teve seca, o que representa a menor área verificada desde o fim do ano passado. Duas unidades da Federação registraram seca em 100% do território em junho deste ano, sendo elas, o Distrito Federal e o Piauí.
A melhora das condições foi em grande parte impulsionada pelo volume de chuvas. Para se ter ideia, dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam durante o outono, entre 20 de março e 20 de junho, a estação convencional localizada, em Cuiabá, registrou chuva em 21 dias.
Ao todo, foram verificados 422,8 milímetros (mm), volume que ficou bem acima da média histórica sazonal que é de 245,0 mm (1991-2020), ou seja, um crédito em volume de 177,8 mm.
As precipitações acima da média podem ter contribuído para a redução das queimadas no Estado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que Mato Grosso registra uma queda de -59% no número de focos de calor desde janeiro ao dia 28 deste mês.
São 4.485 ocorrências neste ano contra 11.084 no mesmo período de 2024. Somente em junho do ano passado, o Estado registrou 2.671 focos. Esse número caiu para 1.576 no mesmo período de 30 dias de 2025. O Estado, no entanto, lidera o ranking nacional de queimadas. Em segundo, aparece o Tocantins (3.864), seguido do Maranhão (3.433); da Bahia (2.650) e do Pará (1.911).
Vale lembrar que as queimadas na zona rural estão proibidas em Mato Grosso. Somente neste ano, o Governo do Estado está investindo R$ 125 milhões em ações voltadas ao combate do desmatamento ilegal e à prevenção e controle de incêndios florestais.


