Você já ouviu o esturro grave de uma onça-pintada cortando o silêncio do Pantanal? No vídeo gravado por armadilhas fotográficas, a diferença fica clara e impressiona. Enquanto a onça-parda solta um miado semelhante ao de um gato doméstico, a onça-pintada emite um som profundo e potente, usado para comunicação social e marcação de território.
A explicação está na biologia. A onça-pintada pertence ao gênero Panthera, o único grupo de felinos com capacidade real de rugir. Isso só é possível graças a adaptações específicas nas cordas vocais e no osso hioide, uma estrutura da garganta que, nesses animais, é mais flexível e permite amplificar o som. É o mesmo mecanismo que dá voz aos outros gigantes do grupo: leão, tigre, leopardo e leopardo-das-neves.
Já a onça-parda, do gênero Puma, não possui essas adaptações. Por isso, apesar de seu porte e força, sua vocalização se limita a miados, assobios e grunhidos, eficientes para a espécie, mas muito menos audíveis à distância. Veja abaixo a explicação:
Comunicação que vale território
No ambiente aberto do Pantanal, o esturro da onça-pintada funciona como um aviso. Ele ajuda a manter outros indivíduos afastados, evita confrontos desnecessários e reforça a presença do animal em uma área ampla. É um som que carrega informação e poder.
As imagens foram captadas por armadilhas fotográficas instaladas na Pousada Piuval, um dos refúgios onde a fauna ainda se expressa livremente. Registros assim ajudam pesquisadores e o público a compreender melhor o comportamento dos grandes felinos e reforçam a importância da conservação do bioma pantaneiro.







