Investigação policial que resultou na operação “Fake Monster” em Campo Novo do Parecis (385 km de Cuiabá) e outras seis cidades brasileiras identificou uma rede criminosa que atuava em plataformas digitais e promovia a radicalização de adolescentes, a disseminação de crimes de ódio, automutilação e conteúdos violentos como forma de pertencimento e desafio entre jovens.
A operação foi deflagrada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCRJ), com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), além da Polícias Civis de Mato Grosso, do Rio Grande do Sul e São Paulo.
Em Campo Novo do Parecis, o alvo era uma residência localizada no Bairro Alvorada, onde vive um adolescente, 15 anos, suspeito de ato infracional análogo a crimes cibernéticos, praticados por meio de aplicativos e redes sociais.
Segundo as investigações da polícia carioca, as ações praticadas pelo menor e por outros alvos da operação teriam como foco o show da cantora Lady Gaga, realizado no sábado (3), na Praia de Copacabana, no Rio. O grupo planejava um ataque durante o show com explosivos para atingir o público LGBTQIA+. O plano era tratado como um “desafio coletivo”, com o objetivo de obter notoriedade nas redes sociais.
Em Campo Novo, durante a diligência, foram apreendidos um celular iPhone 11, utilizado pelo adolescente para acessar os aplicativos, e a CPU de um computador também de seu uso. Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão também no Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Duque de Caxias (RJ), Cotia (SP), São Vicente (SP), Vargem Grande Paulista (SP) e São Sebastião do Caí (RS).
“Essa operação é um exemplo da capacidade de resposta integrada das Polícias Civis. Atuamos de forma cirúrgica para desarticular uma rede que cooptava jovens para práticas violentas em ambiente digital. Nosso objetivo principal é proteger adolescentes e evitar que a violência simbólica migre para a realidade,” destacou Rodney da Silva, Diretor da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) do MJSP.
Segundo o MJSP, a “Fake Monster” foi fundamentada em um relatório técnico produzido pelo Ciberlab após um alerta da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que identificou células digitais voltadas à indução de condutas violentas em jovens por meio de linguagens cifradas e desafios com simbologia extremista.



