Registros de onças-pintadas regurgitando no Pantanal têm chamado a atenção de turistas, moradores e internautas. Embora a cena possa causar estranhamento, o comportamento é considerado normal em diversos contextos biológicos, segundo especialistas.
De acordo com o biólogo e perito ambiental Thiago Paiva De Paula, a regurgitação ocorre principalmente quando o animal expulsa materiais que o organismo não consegue digerir, como pelos e ossos mais densos. “No processo digestivo, só são absorvidas as partes mais moles. O restante, elas regurgitam”, explica.
Para equilibrar o sistema digestivo, esses felinos também podem ingerir capim (hábito semelhante ao observado em gatos domésticos e até em cães). A herbivoria momentânea auxilia na “faxina interna” do trato intestinal e na eliminação de material indigerível. No vídeo publicado pela página Pantanal Oficial, é possível ver duas onças. Enquanto uma está descansando, a outra regurgita na beira do rio. Esse comportamento vem chamando a atenção de internautas por se tratar de um registro incomum.
Outra possibilidade é a formação de uma pelota compacta no estômago, composta por pelos e fragmentos de ossos, que o animal expulsa posteriormente. O mecanismo é comum entre grandes felinos e ajuda a manter a saúde digestiva.
Apesar da normalidade, o especialista alerta que, se a regurgitação se tornar frequente, é necessário avaliar o estado de saúde do animal, já que episódios recorrentes podem indicar parasitoses, intoxicação ou ingestão de alimento deteriorado.
Regurgitações também podem ocorrer em situações de estresse, como perseguições, conflitos territoriais ou manipulação durante resgates.
O fenômeno, portanto, faz parte da biologia desses predadores e não representa, na maioria das vezes, sinal de problema. Monitorar o comportamento, entretanto, continua sendo essencial no Pantanal — um dos principais refúgios da espécie no Brasil.



