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Genival Soares vence como Melhor Ator no Festival Cinemato e curta “O Belo Ouro” conquista prêmio de Melhor Curta

Ator e produtor rural de Nova Olímpia, referência nas artes cênicas regionais, celebra reconhecimento no cinema mato-grossense com uma trajetória marcada pela roça, pelo teatro e pela resistência cultural

Nova Olímpia tem mais um motivo para se orgulhar de sua história cultural. O ator e produtor Genival Soares conquistou o prêmio de Melhor Ator no Festival Cinemato, enquanto o curta-metragem “O Belo Ouro”, estrelado por ele, foi eleito o Melhor Curta do Festival, em uma vitória que ultrapassa os limites da tela e ganha significado especial para a cultura do interior de Mato Grosso.

A conquista tem um peso simbólico ainda maior por se tratar de um artista nascido da vivência popular, da simplicidade da zona rural e da força de quem aprendeu a transformar a própria história em arte. Genival não é apenas ator. É também pequeno produtor rural, ligado à agricultura familiar, morador de sítio, homem da lida diária com a terra, os animais e os desafios do campo. Entre uma tarefa e outra na propriedade rural, ele segue alimentando uma paixão que nunca deixou morrer: o cinema e as artes cênicas.

Nos áudios enviados ao Click Nova Olímpia, Genival relata a emoção de receber a notícia da premiação. Ele contou que não pôde estar presente na cerimônia de resultado por questões familiares e pela dificuldade de deslocamento de quem vive na zona rural e cuida sozinho da propriedade. Mesmo assim, soube, durante a madrugada, que havia sido escolhido como melhor ator e que o curta havia conquistado o primeiro lugar entre os curtas-metragens de Mato Grosso.

Para ele, a vitória representa uma “felicidade em duplicidade”: o reconhecimento individual como ator e a consagração da obra cinematográfica. O feito ganha ainda mais relevância diante da dimensão do festival, que, segundo Genival, recebeu centenas de inscrições entre curtas, longas e documentários, reunindo produções de diferentes estados do Brasil.

A história de Genival Soares com a arte é antiga e profundamente ligada a Nova Olímpia. Antes do cinema, ele já era conhecido por sua atuação em grupos de jovens, festivais de quadrilha, capoeira, teatro e projetos culturais que marcaram gerações. Foi referência regional no maculelê, na capoeira e nas artes cênicas, formando alunos, incentivando jovens e ajudando a construir uma identidade artística no município.

Mesmo afastado dos grandes centros e vivendo no sítio, Genival nunca parou. Como ele próprio ressalta, segue “a todo vapor”, produzindo cenários, maquetes de cena, mantendo parcerias artísticas e participando de trabalhos audiovisuais. Sua trajetória mostra que a arte não depende apenas de palcos iluminados ou grandes estruturas; ela também nasce no chão batido, no curral, na lavoura, no quintal e na memória de quem carrega cultura no corpo e na alma.

Além de “O Belo Ouro”, Genival também soma participações em produções nacionais, como “Cidade Invisível”, gravado na Amazônia em 2010, e, mais recentemente, nos filmes “Pardais Coroa Branca”, com direção de Ângela Coradini e Felippy Damian, e “Religare”, dirigido por Maritê Azevedo, ambos de 2025.

A premiação no Festival Cinemato reafirma a importância de Genival Soares como uma das grandes referências da arte cênica regional. Seu reconhecimento é também um recado poderoso: talentos do interior, muitas vezes distantes dos holofotes e das grandes estruturas culturais, continuam produzindo, resistindo e levando o nome de suas comunidades para espaços de destaque.

Mais do que um prêmio, a vitória de Genival é a celebração de uma vida dedicada à arte. É o reconhecimento de um ator que se divide entre a labuta rural e o cinema; de um homem simples, de fala caipira assumida com orgulho, que transforma sua origem em força expressiva; de um artista que, mesmo diante das dificuldades, segue representando Nova Olímpia e a cultura mato-grossense com autenticidade.

Com “O Belo Ouro” eleito melhor curta e Genival Soares consagrado como melhor ator, Nova Olímpia vê um de seus artistas mais emblemáticos reafirmar que o interior também produz cinema, revela talentos e escreve histórias dignas de aplausos.

O Festival Cinemato e os vencedores da 23ª edição

O Festival Cinemato – Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá é uma das principais vitrines do audiovisual em Mato Grosso e no Brasil. Em sua 23ª edição, realizada entre os dias 29 de junho e 5 de julho de 2026, no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, o evento reuniu produções de diferentes regiões do país e exibiu filmes de 17 estados brasileiros. A edição teve como tema “Migração – Mobilidade humana e emergências climáticas” e, segundo a organização, contou com a exibição de 67 filmes, além de homenagens, debates, ações formativas e a entrega do tradicional Troféu Coxiponé.

Na premiação dos curtas-metragens, a conquista de Genival Soares ganhou destaque especial para Nova Olímpia. O ator recebeu o prêmio de Melhor Ator, dividido com José Araújo, por sua atuação em “Belo Ouro”. O curta, dirigido por Pither Lopes, também foi reconhecido como Melhor Filme Mato-grossense de Ficção, consolidando a obra entre os grandes vencedores da edição.

Entre os principais premiados da 23ª edição estão:

Mostra Competitiva de Longas-Metragens – Troféu Coxiponé

Melhor longa-metragem: “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini.

Melhor Filme Mato-grossense: “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini.

Melhor Montagem: “Cinco Tipos de Medo”, de Bruno Bini.

Melhor Direção: Bruno Bini, por “Cinco Tipos de Medo”.

Melhor Ator: Reginaldo Faria, por “Perto do Sol é Mais Claro”, de Regis Faria.

Melhor Filme de Não Ficção: “Filhas da Noite”, de Henrique Arruda e Sylara Silvério.

Melhor Desenho de Som: “Memória de Elefante”.

Melhor Atriz: Izabela Bicalho, por “Memória de Elefante”.

Melhor Atriz Coadjuvante: Tatiana Horevicht, por “Memória de Elefante”.

Prêmio Especial do Júri: “Memória de Elefante”.

Menção Honrosa: “Filhas da Noite”, de Henrique Arruda e Sylara Silvério, e “Perto do Sol é Mais Claro”, de Regis Faria.

Júri Popular: “Filhas da Noite”, de Henrique Arruda e Sylara Silvério.

Mostra Competitiva de Curtas-Metragens – Troféu Coxiponé

Melhor Filme de Ficção: “Canto”, de Danilo Daher.

Melhor Filme de Não Ficção: “A Pele do Ouro”, de Marcela Ulhoa e Yara Perdomo.

Melhor Filme Mato-grossense de Ficção: “Belo Ouro”, de Pither Lopes.

Melhor Filme Mato-grossense de Não Ficção: “O Olhar de Antônio”, de Glória Albues.

Melhor Direção: Felipe Bibian, por “Presépio”.

Melhor Roteiro: Anna Zêpa, por “Ressonância”.

Melhor Montagem: Daniel Tancredi, por “A Pele do Ouro”.

Melhor Atriz: Larissa Braga, por “Canto”.

Melhor Ator: Genival Soares, por “Belo Ouro”, e José Araújo, por “Memórias com Vista para o Mar”.

Menção Honrosa: “Divino: sua alma, sua lente”, de Clea Torres, Gilson Costa e Divino Tserewahù.

Júri Popular: “Memórias com Vista para o Mar”, de Marton Olympio.

Prêmio Mato UNO: “Mapago”, de Marcus Teles.

Prêmio Especial – Excelência de Projeção: José Luiz Almeida.

 

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