Em visita ao Brasil, Peter Attia falou ao Globo sobre envelhecimento saudável e quais armas temos contra o Alzheimer e a demência
A doença ocorre quando os rins perdem, de forma progressiva, a capacidade de filtrar resíduos e excesso de líquidos do sangue. Nos estágios iniciais, pode não apresentar sintomas, mas os casos graves exigem diálise, terapia de substituição renal ou transplante.
O levantamento, publicado nesta quinta-feira no prestigioso periódico The Lancet, mostra que cerca de 14% dos adultos no mundo têm doença renal crônica. Em 2023, a doença causou 1,5 milhão de mortes, um aumento de mais de 6% em relação a 1993, mesmo considerando diferenças etárias entre países.
“Nosso trabalho mostra que a doença renal crônica é comum, mortal e está se agravando como um importante problema de saúde pública”, afirmou Josef Coresh, diretor do Instituto de Envelhecimento Ideal da NYU Langone e coautor do estudo em um comunicado. “Essas descobertas apoiam os esforços para que a doença seja reconhecida, junto com o câncer, as doenças cardíacas e os transtornos mentais, como uma prioridade global.”
Em maio de 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu formalmente a DRC em sua meta de reduzir em um terço as mortes prematuras por doenças não transmissíveis até 2030.
Impacto e riscos
O relatório faz parte do Global Burden of Disease (GBD) 2023, o maior esforço internacional de monitoramento de saúde. A análise abrangeu 2.230 artigos científicos e dados nacionais de 133 países.
Os principais fatores de risco identificados foram:
- hiperglicemia
- hipertensão arterial
- obesidade
Segundo os autores, a maioria dos casos foi diagnosticada nos estágios iniciais da doença. Isso é importante, diz Coresh, porque o tratamento rápido com medicamentos e mudanças no estilo de vida pode evitar a necessidade de intervenções mais drásticas e caras, como diálise e transplante renal.
“A doença renal crônica é subdiagnosticada e subtratada”, afirmou o nefrologista Morgan Grams, coautor do estudo e professor da Escola de Medicina Grossman da NYU. “Nosso relatório destaca a necessidade de ampliar os exames de urina para diagnóstico precoce e garantir que os pacientes tenham acesso ao tratamento.”
Grams ressaltou ainda que, em regiões de baixa renda, como a África Subsaariana, o Sudeste Asiático e a América Latina, o acesso à diálise e ao transplante renal continua limitado.
Nos últimos cinco anos, novos medicamentos vêm mostrando capacidade de retardar a progressão da DRC e de reduzir o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca, mas, segundo os especialistas, ainda levará tempo para que os resultados apareçam em escala global.



