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Transmissão ativa da hanseníase persiste em MT

Mato Grosso registra mais de 23 mil novos casos de hanseníase entre 2019 e 2025. Só neste ano, já são 2.273 novos diagnósticos da doença, o que representa 48,6% do total detectado ao longo de 2024, com 4.671 novos casos. No país, entre janeiro e julho deste ano, foram registrados pouco mais de 10,4 mil novos casos, sendo que Mato Grosso lidera o ranking nacional, conforme dados do Ministério da Saúde (MS).

Para a superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (Ses-MT), Alessandra Moraes, os números deste ano, com taxa preliminar de 70 novos casos por 100 mil habitantes, indicam a continuidade da transmissão ativa da hanseníase no Estado, ou seja, continua sendo desafio para a saúde pública.

“Os dados parciais de 2025 reforçam que o cenário epidemiológico ainda exige vigilância constante e resposta ativa dos serviços de saúde. O diagnóstico precoce, a vigilância ativa de contatos e o tratamento oportuno são estratégias fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e prevenir incapacidades físicas”, explicou.

Conforme a Ses-MT, a hanseníase pode ser tratada inicialmente nas unidades municipais de saúde. Em casos mais graves, os pacientes são direcionados para os Ambulatórios de Atenção Especializada Regionalizados (AAER) ou para o Centro de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac), em Cuiabá.

Mato Grosso conta com AAER em Alta Floresta, Barra do Garças, Juara, Juína, Tangará da Serra e Várzea Grande. “Esses ambulatórios oferecem diagnóstico, acompanhamento e tratamento dos pacientes com hanseníase, integrando a estratégia estadual de enfrentamento da doença”, concluiu a superintendente.

Em Colíder (620 km ao Norte de Cuiabá), o Hospital Regional, administrado pelo órgão estadual, implantou o Ambulatório de Hansenologia para dar suporte às equipes básicas de saúde dos municípios da região e melhorar o atendimento aos pacientes com hanseníase pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Diretora da unidade hospitalar, Grazielle Guimarães, informou que o ambulatório tem auxiliado as prefeituras da região, principalmente, em relação às definições diagnósticas mais difíceis, reações hansênicas de difícil controle e de intolerância medicamentosa, suspeitas de insuficiência terapêutica após o tempo padrão de tratamento, suspeitas de recidivas e investigação de resistência antimicrobiana em hanseníase.

“A nossa região tem muitos casos de hanseníase e praticamente toda a regional do Norte mato-grossense faz parte de área endêmica para a doença, segundo o boletim epidemiológico em hanseníase de 2025”, destacou.

Médico responsável pelo ambulatório, José Luiz de Oliveira, chama a atenção para a apresentação clássica da hanseníase se manifesta por manchas na pele, dos tipos brancas, amareladas, acastanhadas ou avermelhadas, que são ressecadas e tem redução de sensibilidade no tato e perda de pelo; eventualmente, aparecem alguns nódulos.

“São manchas que, normalmente, não incomodam a pessoa. Ela não sente dor, não sente coceira, não sente nenhum incômodo significativo e é esse um dos motivos que a leva a demorar a procurar a assistência médica. Porém, as manchas na pele ocorrem porque o nervo da área foi comprometido antes”, esclareceu.

O médico destacou outra forma de apresentação da doença que tem ganhado relevância pela dificuldade no diagnóstico, com manifestações neurológicas que não são exclusivas da hanseníase. Elas podem acontecer em outras neuropatias periféricas, ou seja, lesões nos nervos fora do cérebro e da medula espinhal, e em outras doenças neurológicas.

“São sintomas que podem preceder o surgimento dessas manchas. De sensação de formigamento e dormência. Pode aparecer uma perda de força na musculatura, geralmente nas extremidades de mãos, dedos das mãos, pés e dedos dos pés. Então a pessoa percebe que está deixando objetos caírem da mão, começa a tropeçar, ter câimbras e outras alterações na parte motora dos músculos da área comprometida, de forma assimétrica”, frisou.

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