Quando se trata do destilado mais popular do Brasil, a Cachaça, uma dúvida é muito comum entre as pessoas: cachaça e aguardente são iguais, são sinônimos da nossa linguagem?
O apreciador e detentor de uma pequena coleção de cachaças, servidor público municipal em Nova Olímpia, Nelson Alves, que também é historiador, esclarece que pode e não pode se tratar da mesma classificação do produto, e explica que “Toda Cachaça é uma Aguardente, contudo, nem toda Aguardente é uma Cachaça”. Essa definição, segundo ele, não parte dos produtores e sim da Legislação, conforme descreve a correta classificação desses produtos, no Decreto nº 6.871, de 2009 e a Instrução Normativa do MAPA nº 13, de 29 de junho de 2005.
No texto legal, o citado Decreto define: “A aguardente é a bebida com graduação alcoólica de 38% a 54% em volume, a 20° C, obtida pela destilação do mosto fermentado” e complementa que a Aguardente terá a denominação da matéria-prima de sua origem, como por exemplo: aguardente de melado, de melaço; de cereal; de vegetal; de rapadura, e até aguardente de cana, quando utilizado o caldo de cana-de-açúcar.
“Podemos afirmar que aguardente é o nome genérico dado a qualquer bebida obtida a partir da fermentação e destilação de vegetais doces. Logo, o Uísque (whisky) é uma aguardente de cereais. A Tequila é uma aguardente de agave, a Tiquira é uma aguardente de mandioca. Conhaque, Bagaceira e Grappa, semelhantemente, são aguardentes de uva”, esclarece.

Nelson mostra exemplares de Cachaça Brasileira, Aguardente de Cana Paraguaia e Aguardente de Uva Boliviana (Singane).
Já, a cachaça, segundo o mesmo Decreto, é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38% a 48% em volume, a 20° C, obtida do caldo (mosto) de cana-de-açúcar.
“A Caña Paraguaia, por exemplo, é produzida com a mesma matéria-prima (cana), mesma graduação (entre 38% a 48%, a 20 graus), porém não pode ser classificada como cachaça. É uma aguardente paraguaia. Da mesma forma, em outros países que se produz a aguardente de cana-de-açúcar”, diz.
Essa proteção, que garante sua procedência, autenticidade, qualidade e tradição é reconhecida por diversos países, da mesma forma da Tequila (México), Bourbom (Americano), Vinho do Porto (Portugal), Scotch Whisky (Escócia), Champanhe (Champagne – França) e assim por diante”, comenta.
E a Pinga?
Nelson comenta que a Pinga é a mesma Cachaça. “Podemos dizer que é um apelido carinhoso dado a nossa bebida. O primeiro registro da palavra “pinga” foi em 1813, segundo Câmara Cascudo, era a destilação, depois da fervura e evaporação do caldo fermentado, que “pingava” na bica do alambique.
“Da mesma forma que, em cada região Brasileira, a Cachaça pode ser chamada por centenas de nome, tais como: cana, abrideira, danada, amarelinha, dona branca, branquinha, mé, papuda, água-que-passarinho-não-bebe, birita, do-santo, canjibrina, limpa-goela, santa, branquinha, três-dedo e assim por diante”, cita.
E como curiosidade, Nelson diz que em cidades como Paraty e interior de Minas Gerais, pinga é sinônimo da cachaça de qualidade; e em alguns lugares, como no estado de São Paulo, a palavra faz menção à aguardente de baixa qualidade ou da aguardente industrial, adotando neste caso, um sentido pejorativo.
Fonte – enfoquebusiness.com.br







