RESUMO
Este artigo reflete sobre as práticas pedagógicas na Educação Infantil voltadas para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A partir de revisão bibliográfica e experiência prática, destaca-se que a inclusão na primeira infância se efetiva por meio de três eixos: acolhimento afetivo, previsibilidade da rotina e mediação lúdica. Apresentam-se estratégias concretas que favorecem comunicação, interação e autonomia.
Palavras-chave: Educação Infantil. TEA. Inclusão. Práticas Pedagógicas. Rotina.
INTRODUÇÃO
A Educação Infantil é a base da inclusão. É ali que a criança com TEA aprende pela primeira vez a ficar fora da família, a dividir, a esperar e a se comunicar com outros. Não se trata de “adiantar conteúdo”, mas de garantir desenvolvimento integral.
A criança com TEA na Educação Infantil não precisa de uma escola diferente, ela precisa que a mesma escola seja organizada para ela entender.
DESENVOLVIMENTO
1.0 – O QUE MUDA COM UM ALUNO COM TEA NA TURMINHA?
Nada e tudo. A aula continua sendo lúdica, mas precisa ser mais visual, mais previsível e mais dividida em etapas pequenas. A criança com TEA aprende vendo e fazendo.
- AS 5 PRÁTICAS QUE MAIS FUNCIONAM NA EDUCAÇÃO INFANTIL
1º- ROTINA VISUAL – O QUADRO DO DIA A DIA
Na Educação Infantil, a rotina já existe. Para o aluno com TEA, ela precisa estar na parede com fotos reais.
Como, foto da chegada, foto da rodinha, foto do lanche, foto do parque, foto da saída. Quando ele olha, ele já sabe o que vai acontecer e fica menos ansioso. É o que você já faz na sua SRM com o calendário e os números coloridos.
2º- COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA
Muitas crianças com TEA na Educação Infantil ainda não falam. Não é birra. Use prancha com figuras tipo:
QUERO ÁGUA, QUERO BANHEIRO, QUERO BRINCAR, NÃO QUERO. Quando ele entrega a figura, ele está se comunicando e a crise diminui.
3º- CANTINHO DO ACALMAR, NÃO CANTINHO DO CASTIGO
Barulho, luz forte e muita gente desorganizam a criança com TEA. Tenha na sala uma caixa com fone abafador, massinha, livrinho sensorial. Quando ele se desorganizar, ele aprende a ir para lá e se regular, e depois volta. Isso é autonomia.
4º- O BRINCAR COMO PONTE
A criança com TEA muitas vezes brinca sozinha e de forma repetitiva. A prática do professor é entrar na brincadeira dele e expandir.
Ele gosta de carrinho? Você pega outro carrinho e faz “vamos colocar na garagem”. Ele alinha tampinhas? Você alinha com ele e conta: 1, 2, 3. O “Jogo das Compras” é exatamente isso: transformar interesse em aprendizagem.
5º- ATIVIDADE CURTA E COM OBJETIVO CLARO
Na Educação Infantil, evite folha A4 cheia de informação.
Por exemplo: Ao invés de: “Pinte o desenho”
Proponha, faça o desenho.
2.0 – O PAPEL DA SRM NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A Sala de Recursos não alfabetiza a criança de 4 anos. Ela cria os recursos que a professora da sala comum vai usar: o quadro de rotina com fotos, a prancha de comunicação, os jogos sensoriais. O trabalho é articulado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Incluir na Educação Infantil é ensinar a turma toda a ser mais empática. Quando a professora organiza a sala, usa imagens e antecipa o que vai acontecer, Todas as crianças aprendem melhor, não só a criança com TEA.
A prática inclusiva não exige materiais caros. Exige olhar atento.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Educação Infantil. 2017.
CUNHA, Eugênio. Autismo na Escola: um jeito diferente de aprender. Vozes, 2020.
APA. DSM-5-TR. 2023.
¹Professora da Educação Básica, habilitada em Pedagogia pela UNOPAR, pós-graduada em Educação Infantil e Alfabetização, pelo Instituto Afirmativo. Email: lucianasirleide@hotmail.com








