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MT vira hub da teca na América Latina com 80% da área plantada do país

Estado concentra 80% da área de teca do Brasil, exporta para a Ásia e já ganha espaço em mercados premium com madeira certificada

O clima quente e solo fértil fizeram de Mato Grosso o coração da teca no Brasil: com aproximadamente 80% da área nacional, o estado puxa investimentos, exportações e manejo responsável, abrindo um novo ciclo para as florestas plantadas.

Segundo a Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta-MT), o estado já é referência nacional nesse segmento, reunindo a maior parte das áreas cultivadas e consolidando-se como líder no fornecimento dessa madeira para o Brasil e o mundo. A entidade, que representa o setor e defende práticas sustentáveis, aponta que o cultivo da teca alia rentabilidade econômica, responsabilidade social e preservação ambiental.

Fontes: Arefloresta/IMEA • Canopy (2024) • Foto: Primeira Página

A teca é valorizada há séculos, foi usada em embarcações desde 220 a.C., foi a principal matéria-prima da indústria naval até meados de 1850. Hoje, seu mercado global movimenta mais de US$ 600 milhões por ano e está presente em mais de 70 países.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o consumo global de toras de teca deve passar de 109 milhões de m³ em 2020 para 128 milhões de m³ em 2040. Hoje, a teca já está presente em mais de 70 países e movimenta um mercado superior a US$ 600 milhões por ano, representando 3% do comércio mundial de toras.

Produção brasileira e liderança mato-grossense

Dados de 2024 da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) mostram que são 84,4 mil hectares de teca plantados, com exportações anuais superiores a 172 mil toneladas de toras, que somam mais de US$ 39,1 milhões. Em apenas cinco anos, a produção nacional aumentou cinco vezes, colocando o país como o segundo maior exportador mundial de toras de plantações e o primeiro em área plantada na América Latina.

Desse total, 80% das áreas estão em Mato Grosso e no Pará, com forte concentração no território mato-grossense, como mostra o mapeamento da Arefloresta em parceria com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

De acordo com o engenheiro florestal e diretor da Arefloresta, Fausto Takizawa, o levantamento mais recente foi feito pela empresa Canopy em 2024 e aponta que Mato Grosso concentra 60.134 hectares de teca plantada, o que mantém o estado na liderança nacional, com cerca de 80% da área plantada de teca no Brasil, seguido do Pará.

“Esse estudo é importante porque mostra, com dados atualizados, que Mato Grosso continua sendo o coração da produção de teca no país. Em 2024, o estado exportou 167 mil m³ de toras brutas, o equivalente a US$ 46 milhões, o que representou 62% de toda a exportação brasileira dessa madeira”, destacou Takizawa.

teca plantacao 1
Incentivos fiscais ajudam nos sistemas de produção

Incentivos fiscais que impulsionam o setor

Em Mato Grosso, o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic) incluiu a teca em sua política de incentivos fiscais. Segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), atualmente três empresas do segmento da teca estão cadastradas e utilizam o benefício. No total, o programa Prodeic Invest Madeira reúne 272 empresas do setor florestal, que englobam diferentes cadeias produtivas ligadas às florestas plantadas.

Desde outubro de 2024, produtores contam com descontos de 65% em operações internas e de 80% em operações interestaduais, medida que fortalece a competitividade do setor. A medida fortaleceu investimentos em dois sistemas de produção:

  • Monocultivo: modelo predominante, com mais de 84 mil hectares, voltado à qualidade e volume da madeira.
  • Integrado com pecuária: cerca de 4 a 5 mil hectares, alinhado ao Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas, oferecendo renda ao produtor já nos primeiros anos de cultivo.

Segundo Fausto Takizawa, diretor da Arefloresta, muitas empresas já se beneficiam dos incentivos fiscais do Prodeic, o programa foi decisivo para ampliar a competitividade do setor.

“No nosso caso, conseguimos viabilizar novos produtos, como o mourão de teca, que só se tornou competitivo graças ao benefício fiscal”, destacou.

Versatilidade que vai da energia ao design premium

A teca se consolidou como uma das madeiras mais versáteis do mundo. Sua aplicação vai de produtos simples a mercados premium:

  • Biomassa e energia renovável: lenha, serragem e cavacos;
  • Construção básica: vigas, mourões, caibros e postes;
  • Mobiliário e decoração: utensílios, artesanato e peças torneadas;
  • Arquitetura de alto valor: pisos, decks, portas, esquadrias, embarcações e revestimentos;
  • Design sofisticado: móveis de qualidade, ofurôs, esculturas e instrumentos musicais;
  • Exportação especializada: blocos serrados, lâminas faqueadas e compensados.

Além da durabilidade e do tom neutro que se adapta a diferentes estilos arquitetônicos, a teca é reconhecida por ser eco-friendly, sustentável e manter o carbono estocado por décadas ou até séculos em forma de pisos, móveis ou embarcações.

Madeira que estoca carbono por décadas

Além do uso econômico, a teca se destaca também pelo papel ambiental. Cada hectare da árvore pode capturar cerca de 9 toneladas de carbono por ano, ajudando no combate às mudanças climáticas.

“Com pouco mais de 60 mil hectares de teca plantada, podemos estimar que Mato Grosso sequestra hoje 5,5 milhões de toneladas de carbono. O diferencial é que essa madeira não vai para queima, mas vira pisos, móveis ou embarcações, garantindo que o carbono fique aprisionado por décadas ou até séculos”, explica Takizawa.

Apesar do avanço, o setor enfrenta obstáculos, como logística, custos de industrialização, distância dos grandes centros consumidores e a necessidade de mão de obra qualificada. Ainda assim, há grandes oportunidades, especialmente na construção civil, no mercado de móveis de alto padrão e na exportação de produtos beneficiados, segmentos que ampliam o valor agregado da produção mato-grossense.

Ele lembra que no primeiro semestre de 2025 já foram embarcados quase 57 mil m³ de toras, somando US$ 18 milhões, apesar do ritmo mais lento causado pela falta de brometo, que se trata do insumo usado na fumigação das toras.

— Fausto Takizawa, diretor da Arefloresta

Segundo Takizawa, os principais destinos continuam sendo Índia, China e Vietnã, com a Índia buscando preço mais competitivo e China e Vietnã demandando madeira de melhor qualidade. Já mercados como Europa e Estados Unidos têm buscado cada vez mais teca beneficiada e certificada, com alto valor agregado.

Para o engenheiro, se considerar o padrão do setor de florestas plantadas no Brasil, estima-se que a cadeia da teca em Mato Grosso já gera mais de 10 mil empregos diretos e indiretos. Além disso, cada hectare de teca captura, em média, 9 toneladas de carbono por ano.

Isso significa que as áreas plantadas no estado já somam algo em torno de 5,5 milhões de toneladas de carbono, que permanecem estocadas por décadas ou até séculos em pisos, móveis e embarcações.

Certificação que reforça sustentabilidade

Outro levantamento sobre a Teca foi realizado em 2024 pela empresa Canopy, que também organiza a Expedição Silvicultura, evento previsto para acontecer no dia 9 de outubro em Mato Grosso. Na ocasião, devem ser apresentados os dados atualizados deste ano.

Para Fausto, o estudo da Canopy apontou que o estado concentra 60.134 hectares de teca plantada, o que mantém Mato Grosso com cerca de 80% da área plantada no Brasil. “Esse estudo é importante porque mostra, com dados atualizados, que Mato Grosso continua sendo o coração da produção de teca no país”, destaca.

Outro ponto de destaque é a certificação ambiental. O Brasil conta atualmente com seis empresas certificadas pelo Forest Stewardship Council (FSC), das quais cinco estão em Mato Grosso.

“Isso representa cerca de 35% da área plantada de teca certificada no país. É um diferencial que mostra que Mato Grosso não é só líder em volume, mas também em sustentabilidade e responsabilidade socioambiental”, reforça Takizawa.

Reconhecida como uma madeira tropical nobre

A teca está na mesma categoria de espécies como o ipê, o cumaru e o mogno, mas com o diferencial de ser plantada de forma sustentável. Mato Grosso ganha ainda mais relevância nesse cenário ao desenvolver tecnologia genética e reunir empreendimentos certificados, o que reforça a responsabilidade ambiental do setor.

“O Mato Grosso é destaque na produção de madeira de teca. É uma madeira tropical nobre, na mesma classe de espécies nativas como o ipê, o cumaru e o mogno, mas com a diferença de ser cultivada de forma planejada e sustentável”, destacou.

Teca em Mato Grosso — 2024

Exportações e participação no Brasil

Fonte: Arefloresta-MT (2024) • Arte: Primeira Página

Além disso, o setor florestal plantado tem se tornado cada vez mais estratégico para garantir biomassa de forma contínua à agroindústria mato-grossense, especialmente para segmentos como o etanol de milho, a indústria alimentícia e até o setor de cimento. Resíduos agrícolas e madeira nativa, apesar de utilizados, não oferecem fornecimento regular nem escala de longo prazo.

“Já deveríamos ter começado a plantar florestas de forma mais estratégica e planejada em função da agroindústria. Estamos falando do esmagamento de grãos, da indústria frigorífica, alimentícia e do etanol de milho, que hoje é o grande impulsionador dessa transformação. Biomassa de nativa até pode ser usada, mas não é um recurso que se consegue expandir de forma consistente e contínua”, explica o engenheiro.

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