Mato Grosso registrou a maior alta do preço médio do etanol no país na primeira quinzena de outubro. O combustível ficou 3,96% mais caro e passou a ser comercializado, em média, a R$ 4,20 por litro nos postos do Estado.
Os dados são do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), divulgados nesta terça-feira (20), e mostram que a pressão sobre os combustíveis também atingiu o diesel, principal insumo do transporte rodoviário de cargas e do escoamento da produção agropecuária.
No Centro-Oeste, o diesel S-10 apresentou aumento de 7,02% nos primeiros 15 dias do mês, alcançando o preço médio de R$ 7,62 por litro.
O diesel comum também registrou elevação expressiva, de 6,97%, chegando a R$ 7,21 por litro na região.
Os reajustes preocupam especialmente em Mato Grosso, onde o transporte rodoviário tem papel fundamental na movimentação de grãos, fertilizantes, alimentos e mercadorias.
O encarecimento do diesel aumenta as despesas das transportadoras e dos produtores rurais, com possibilidade de repasse aos preços do frete e, posteriormente, aos produtos consumidos pela população.
PRESSÃO SOBRE O FRETE — O aumento ocorre em um período de intensa movimentação no campo, marcado pelo início do plantio da safra de soja 2026/27.
Além das despesas com máquinas agrícolas, o diesel representa uma parcela importante dos custos logísticos do agronegócio mato-grossense, principalmente em razão das longas distâncias entre as regiões produtoras e os centros de distribuição e exportação.
No levantamento da Edenred, o Centro-Oeste aparece entre as regiões mais caras do país para abastecimento com diesel S-10, ficando atrás da Região Norte.
O comportamento dos preços reflete, entre outros fatores, as oscilações do mercado internacional de petróleo, a variação cambial e a dependência brasileira de combustível importado.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as importações responderam por 23,14% do diesel A comercializado no país no período considerado pelo levantamento.
Essa dependência deixa o mercado brasileiro mais exposto às alterações das cotações internacionais e do dólar, que influenciam os custos de aquisição e distribuição do produto.
SUBSÍDIO FEDERAL — Diante da pressão sobre os preços, o Ministério da Fazenda anunciou uma suplementação de R$ 1,40 por litro no subsídio destinado aos importadores de diesel rodoviário.
Com a medida, o benefício passou de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro, segundo as informações divulgadas.
O objetivo é reduzir os efeitos da alta internacional do combustível sobre o mercado interno, especialmente sobre o transporte de cargas e os preços dos alimentos.
Apesar da iniciativa, os dados da primeira quinzena de outubro mostram que o diesel continuou registrando aumentos expressivos nos postos do Centro-Oeste.
A evolução dos preços dependerá do comportamento do mercado internacional, dos custos de importação e das condições de comercialização pelas distribuidoras.
ETANOL AINDA COMPENSA — Mesmo com a maior alta percentual do país, Mato Grosso continua apresentando condições favoráveis ao uso do etanol em comparação com a gasolina, conforme a avaliação da Edenred Mobilidade.
O biocombustível chegou à média de R$ 4,20 por litro no Estado, enquanto a gasolina apresentou relativa estabilidade no levantamento nacional, com variação de 0,15% e preço médio de R$ 6,73 por litro.
A comparação direta entre esses valores resulta em uma relação de aproximadamente 62,4%, abaixo da referência tradicional de 70% utilizada para avaliar a vantagem econômica do etanol em veículos flex.
Entretanto, o preço de R$ 6,73 corresponde à média nacional da gasolina, e não necessariamente ao valor praticado em Mato Grosso. Por isso, a vantagem efetiva para o consumidor deve ser calculada com base nos preços encontrados nos postos locais e no rendimento de cada veículo.
Para os motoristas, a orientação é comparar os valores antes de abastecer. Já para o setor produtivo, a preocupação principal permanece concentrada no diesel, cujo encarecimento pode comprometer os custos de transporte e a competitividade da produção mato-grossense.








