Partes do boi que muitas vezes passam despercebidas no prato do brasileiro estão virando fonte de receita milionária em Mato Grosso. Só em 2025, os chamados miúdos bovinos renderam quase US$ 100 milhões em exportações e ganharam espaço em mercados internacionais, segundo o Comex Stat, plataforma do governo federal que divulga dados de importação e exportação.
Nos frigoríficos, praticamente nada se perde. Além dos cortes tradicionais de carne, itens como língua, estômago e cartilagens seguem para países da Ásia, África e Oriente Médio, onde fazem parte da cultura alimentar e têm alta demanda.
EXPORTAÇÃO DE MIÚDOS
Miúdos bovinos de MT rendem US$ 99,6 milhões em 2025
Volume embarcado cresceu 29,6% e produtos chegaram a 53 países
Receita em 2025US$ 99,6 mi
Toneladas embarcadas53,5 mil t
Alta no volume29,6%
Alta na receita102%
Países alcançados53
• Elaboração: Primeira Página
Segundo o analista de gestão da informação do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Valdecir Francisco Pinto Junior, muitos desses produtos não têm consumo expressivo no Brasil, mas encontram forte valorização fora do país. Em alguns casos, o que não é aproveitado internamente pode ser destinado à indústria pet ou ao mercado externo.
O avanço é significativo: as exportações de miúdos bovinos de Mato Grosso ultrapassaram US$ 99 milhões no último ano, consolidando um novo nicho dentro da cadeia produtiva da carne.
De ‘resto’ a negócio estratégico
O que antes era visto apenas como subproduto hoje representa uma oportunidade concreta de negócio. Os miúdos já são comercializados em mais de 50 países e ajudam a aumentar a rentabilidade de toda a cadeia, do produtor ao frigorífico.
Para o economista Vitor Galesso, esse movimento fortalece o setor como um todo, ao aproveitar melhor cada parte do animal e ampliar as possibilidades de comercialização.
Partes do boi pouco consumidas viram febre em mais de 50 países. – Foto: Reprodução
Recorde histórico impulsiona exportações
O desempenho acompanha o crescimento da pecuária no estado. Mato Grosso se consolidou como o maior produtor de carne bovina do país após registrar um recorde de 7,4 milhões de cabeças abatidas em 2025, cerca de 100 mil a mais que no ano anterior.
O resultado está ligado ao ciclo da pecuária, que no último ano teve maior abate de fêmeas. Já em 2026, o cenário começa a mudar, com valorização do bezerro e ajustes na produção.
Com a demanda internacional em alta, os miúdos bovinos deixam de ser apenas complemento e passam a ocupar papel estratégico na economia do estado.


