Mato Grosso voltou a reescrever a história da agricultura brasileira.
A revisão divulgada na quarta-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, confirmou que o Estado deverá colher mais de 113 milhões de toneladas entre soja, milho e algodão, estabelecendo um novo recorde de produção e consolidando-se, pelo 14º ano consecutivo, como o maior produtor de grãos e pluma do país.
O resultado representa uma verdadeira virada na reta final da temporada.
Embora a Conab ainda publique mais dois levantamentos até o encerramento do ciclo, a revisão para cima das estimativas do milho segunda safra foi suficiente para elevar a produção estadual para cerca de 113,3 milhões de toneladas, superando em 0,9% o volume obtido na safra anterior, quando Mato Grosso produziu 112,39 milhões de toneladas.
O principal responsável pelo novo recorde foi justamente o milho, que mais uma vez ultrapassa a soja em volume produzido.
A expectativa é de que a segunda safra alcance 55,86 milhões de toneladas, crescimento de 1,7% sobre as 54,92 milhões de toneladas colhidas no ciclo passado.
Trata-se da maior produção de milho já registrada na história do Estado.
A soja, cuja colheita foi concluída em abril, também apresentou crescimento, embora mais moderado. A produção ficou consolidada em 51,62 milhões de toneladas, alta de 0,6% em relação à safra 2024/25.
Já o algodão segue em fase de colheita, com estimativa de produção de 2,80 milhões de toneladas de pluma, volume 1,8% inferior ao registrado na temporada passada, quando foram produzidas 2,85 milhões de toneladas.
Mesmo com a leve retração do algodão, os ganhos obtidos pelo milho foram suficientes para compensar a redução e assegurar o maior volume agrícola já produzido em Mato Grosso.
MILHO ASSUME PROTAGONISMO – Nos últimos anos, o milho deixou de ser apenas uma cultura complementar da soja para assumir papel estratégico na economia estadual.
Além da forte demanda das exportações, o cereal passou a abastecer um parque industrial em rápida expansão, formado por usinas de etanol de milho, fábricas de ração animal e frigoríficos, agregando valor à produção e fortalecendo a cadeia agroindustrial mato-grossense.
A expansão do etanol de milho também contribuiu para elevar a demanda interna pelo grão, oferecendo maior segurança ao produtor e reduzindo a dependência exclusiva do mercado externo.
Com isso, Mato Grosso consolidou-se como maior produtor brasileiro tanto de milho quanto de etanol produzido a partir do cereal.
Os números reforçam a liderança absoluta do Estado no agronegócio brasileiro.
Além de responder pela maior produção nacional de soja, milho e algodão, Mato Grosso continua ampliando sua participação na oferta brasileira de alimentos, fibras e biocombustíveis.
No cenário nacional, a Conab estima que a safra brasileira de grãos alcance 360,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior, equivalente a um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas.
O resultado decorre principalmente do aumento da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional permanece praticamente estável, em torno de 4.311 quilos por hectare.
No milho, o Brasil deverá colher 141,7 milhões de toneladas, avanço de 0,4% sobre a temporada passada.
Segundo a companhia, Mato Grosso foi novamente um dos destaques nacionais graças às condições climáticas favoráveis durante praticamente todo o desenvolvimento da segunda safra, fator que garantiu elevada produtividade das lavouras.
A colheita do milho no Estado ainda está em andamento, enquanto a do algodão avança beneficiada pelo clima seco, considerado ideal para a operação.
Embora o milho tenha assumido o protagonismo na safra estadual, a soja continua sendo a principal cultura do país.
No Brasil, a produção da oleaginosa foi revisada para 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% sobre a safra anterior.
O desempenho é atribuído ao aumento da área cultivada, ao elevado nível tecnológico empregado pelos produtores e às condições climáticas favoráveis registradas durante praticamente todo o ciclo.
Já o algodão brasileiro deverá alcançar 4,06 milhões de toneladas de pluma, mesmo com redução de 3,2% na área plantada.
O ganho de produtividade compensou parte da diminuição da área e garantiu crescimento da produção nacional.
Para Mato Grosso, a nova revisão da Conab confirma o momento de fortalecimento da agropecuária estadual.
Apesar dos desafios enfrentados pelo setor nos últimos anos, como aumento dos custos de produção, dificuldades de crédito e oscilações dos preços internacionais, o desempenho das lavouras reafirma a capacidade do Estado de manter elevados índices de produtividade e ampliar sua liderança no agronegócio brasileiro.
Mato Grosso em números
Produção total
• 113,3 milhões de toneladas
• Milho
• 55,86 milhões t • • +1,7% sobre a safra passada
• Soja
• 51,62 milhões t • • +0,6%
• Algodão (pluma)
• 2,80 milhões t • • -1,8%
• Posição nacional
Safra brasileira 2025/26
Grãos
• 360,1 milhões de toneladas • • +2,2%
• Soja
• 180,6 milhões t
• Milho
• 141,7 milhões t
• Algodão
• 4,06 milhões t de pluma
• Área cultivada
• 83,5 milhões de hectares
• Fonte: Conab – 10º Levantamento da Safra 2025/26







