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Eleições deste ano têm 75% mais candidatas indígenas

 

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que neste ano as candidaturas femininas de povos indígenas cresceram 75% em relação às eleições gerais de 2018: em 2022, são 84 mulheres autodeclaradas indígenas participando da disputa em 24 Estados e no Distrito Federal.

Elas estão distribuídas em 26 partidos de diferentes correntes ideológicas e representam 46% do total (182) de candidaturas indígenas.

Cinquenta dessas mulheres pleiteiam vagas nas assembleias estaduais, sendo duas delas candidatas a deputadas distritais em Brasília. Outras 28 estão em campanha para representar seus Estados na Câmara dos Deputados, na capital federal.

Há ainda três candidatas a suplente de senador e duas a vice-governadora, uma pelo Amazonas e outra por Sergipe.

Uma mulher indígena também disputa a vice-presidência da República: a maranhense Raquel Tremembé (PSTU), da chapa de Vera Lúcia, do mesmo partido.

Quase 40 dessas candidaturas vêm da Amazônia Legal. É uma região que ocupa quase metade do território brasileiro, abrange 9 Estados e tem área superior ao do bioma amazônico.

Liderança interna

O fenômeno das candidaturas de mulheres indígenas é acompanhado por um crescente protagonismo delas, também, dentro das aldeias. Em maio deste ano, no Território Indígena do Xingu, surgiu um anúncio inédito: no futuro, a filha mais nova do cacique Raoni Metuktire, Kokonã Metuktire, irá assumir o legado e o cargo do pai, hoje com 92 anos. Uma cacica mulher, portanto.

Raoni é líder Kayapó e, incontestavelmente, um dos mais reconhecidos do planeta, sendo cotado, inclusive, para o Nobel da Paz em 2020. Devido à sua idade avançada, o subgrupo Metuktire, chefiado atualmente pelo indígena, se reuniu para decidir a sucessão. A escolha da filha rompe com a tradição: não existem registros recentes de cacicas entre os Metuktire.

Agora, quando for o momento, a Terra Indígena Capoto Jarina, dos Kayapó, no Norte de Mato Grosso, será comandada por uma mulher.

Mãe de três filhos e avó de duas crianças, Kokonã tem 43 anos e mora na mesma aldeia que o pai, a Metuktire, uma das principais comunidades do Xingu. Segundo familiares ouvidos pelo InfoAmazonia e PlenaMata, ela despontou como líder ao interceder pelas demandas femininas no dia a dia e participar de mobilizações fora do território.

“Seu nome é forte e só tem crescido”, comenta o jovem líder Kayapó Beptuk Metuktire, sobrinho de Kokonã.

Feito histórico

(Foto: InfoAmazonia)

Nos costumes Kayapó, a sucessão se dá entre pessoas da mesma linhagem, geralmente homens. Em 2021, outro ramo do povo, o Mẽbêngôkre, localizado no sul do Pará, já havia feito história inicialmente ao escolher uma jovem mulher, a assistente social O-é Kaiapó Paiakan, de 38 anos, para comandar o subgrupo.

Ela é uma das filhas de outro lendário cacique, Paulinho Paiakan, morto em 2020 por Covid-19.

Os dois exemplos de sucessão feminina entre o povo Kayapó ilustram um fenômeno relativamente recente em terras indígenas no país: o aumento do protagonismo feminino.

Luta organizada

Para o filósofo Márcio Santilli, ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) e sócio-fundador do Instituto Socioambiental (ISA), a ascensão de lideranças femininas indígenas dentro e fora das aldeias vem na esteira do fortalecimento dos movimentos dos povos originários no Brasil ao longo dos anos. Ele explica que a luta organizada criou condições para o empoderamento e que isso se expressa na crescente participação a cada disputa eleitoral.

“Isso começa com o aprofundamento das relações de contato entre esses povos e a sociedade nacional nesse período democrático recente da nossa história. Porém, essa relação era praticamente monopolizada pelas lideranças masculinas. Nos tempos da constituinte, contavam-se nos dedos as mulheres indígenas que falavam português”, lembra.

Apesar disso, o ex-presidente da Funai ressalta que as indígenas sempre tiveram seus modos tradicionais de expressarem as contradições em relação aos homens.

“Há situações em que as mulheres acabam se impondo na rotina da aldeia. Agora, politicamente, isso é algo novo e muito interessante porque se contrapõe à ideia de um machismo geral. Cacicas sendo ungidas, por exemplo, não é inédito, mas tem acontecido com cada vez mais frequência”.

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