terça-feira, 9 junho 2026
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Cidades de Mato Grosso não garantem avanço em qualidade de vida

Municípios que mais produzem riquezas no campo ainda enfrentam entraves para garantir desenvolvimento social e bem-estar

Dezenove municípios, dentre os 50 brasileiros com maior PIB (Produto Interno Público) agropecuário, estão localizados em Mato Grosso.

No entanto, a geração de riqueza agropecuária, medida pelo PIB do setor, não é suficiente para assegurar avanços proporcionais em desenvolvimento social e qualidade de vida à sua população.

É o caso de Sorriso (420 km ao Norte de Cuiabá), que não apresenta bons resultados dentre os itens avaliados.

Esse cenário é revelado pelo estudo “Agro & Condições de Vida”, da Agenda Pública, que analisou os 50 maiores PIBs agropecuários do país, sob o ponto de vista de indicadores sociais.

Numa escala de 0 a 1, o desempenho médio geral apresentado pelas cidades ficou em 0,48, indicando um nível de desenvolvimento médio e com ampla margem para melhorias em diversas áreas, como saúde, educação e infraestrutura.

Nenhum município alcançou a faixa “alta” (acima de 0,60) no índice geral.

Estruturada nos dois componentes “Condições de Vida” e “Desenvolvimento Rural”, a pesquisa tem como base dados públicos disponíveis em plataformas oficiais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), CadÚnico, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e o Ministério da Saúde.

No geral, são 40 indicadores de acesso e desempenho, organizados em seis dimensões de serviços prestados à população pelas prefeituras, sendo eles, educação, saúde, infraestrutura, proteção social, desenvolvimento rural e gestão de qualidade.

No Estado, Campos de Júlio (553 km a Noroeste de Cuiabá) é a cidade que melhor concilia a força do agronegócio com indicadores sociais de qualidade de vida, com a segunda melhor nota final (0,55).

O melhor resultado geral foi o de Cascavel (PR), com 0,57, enquanto Correntina (BA) apresentou o menor desempenho (0,42).

Diamantino (208 km ao Médio-Norte de Cuiabá) aparece em quarto, com 0,54.

Líder no ranking dos municípios com maior PIB agropecuário do país, com uma produção de R$ 8,3 bilhões em 2023, Sorriso não aparece com bons resultados dentre os itens avaliados.

Na pesquisa, o município alcançou um desempenho geral de apenas 0,47, ficando na 29ª posição.

O melhor indicador obtido por Sorriso foi em gestão de qualidade (0,60). Já o menor foi em desenvolvimento rural (0,23).

“A análise de dispersão entre os rankings de PIB agropecuário e de desenvolvimento rural revela um descolamento expressivo entre geração de riqueza e qualidade do desenvolvimento nos municípios do agro”, pontuam os responsáveis pelo estudo.

Localizado a 480 km a Noroeste de Cuiabá, Sapezal apresentou o melhor desempenho no indicador de desenvolvimento rural, com a média de 0,43.

Em segundo aparece Tasso Fragoso (MA), com 0,42, seguido de Canarana, com 0,41.

Conforme os responsáveis pelo estudo, casos como Sorriso e Formosa do Rio Preto (BA) se destacam negativamente: apesar de figurarem entre os maiores PIBs do agro, ocupam posições muito baixas em termos de desenvolvimento rural, o que evidencia assimetrias importantes no território.

Isso significa dizer quer os municípios mais ricos (PIB) não são, necessariamente, os que mais promovem bem-estar, inclusão produtiva ou sustentabilidade no campo.

A Agenda Pública é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscop), que, desde 2009, atua para fortalecer e qualificar a atuação de governos e empresas em prol do desenvolvimento local e regional resiliente e sustentável.

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