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Caninha Pelé – A lenda por traz de um negócio desfeito

Atualmente, devem existir pelo menos 25 garrafas distribuídas entre museus e coleções particulares. O mundo da cachaça tem ótimas histórias, algumas até pitorescas.

É natural que nesses mais de 500 anos de trajetória, a cachaça – que é o mais brasileiro dos prazeres, dada a sua importância econômica e histórica – colecione fatos que precisam ser contados.

Hoje, Nelson Alves, historiador, e porque não dizer ‘cachacista’ (termo usado para se referir a alguém que aprecia e consome cachaça, como um sommelier de cachaça), detentor de uma pequena coleção de cachaças em Nova Olímpia traz o mito da Caninha Pelé. Caninha é um apelido carinhoso da cachaça.

Segundo Nelson, a Caninha Pelé tornou-se um mito no mundo dos destilados brasileiros depois que, logo após seu lançamento, o rei do futebol, Edson Arantes do Nascimento – Pelé (1940/2022) mandou recolher todas as unidades.

Caninha Pelé. As originais valem até US$ 10 mil e quem as tem, não vende.

“Tudo começou após a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, evento futebolísticos que revelou um dos maiores nomes que a nossa paixão nacional (futebol) já teve. O nosso eterno e talentoso Rei Pelé, com apenas 17 anos, natural de Três Corações (MG), havia ajudado a Seleção Brasileira a ganhar o Título Mundial.

Com uma visão de marketing já adiantada para a época, o dono da usina Chiabrando & Amandola, de Piracicaba, no interior de São Paulo, quis fazer um produto que levasse o nome e o rosto do esportista famoso e dessa forma, foi oferecido o negócio ao Seo Dondinho, pai de Pelé, para que ele fosse o rosto da ‘Caninha Pelé’, uma cachaça branca que tinha no rótulo a figura do jogador com apenas 17 anos vestido com o terno da volta da Suécia ao Brasil”, conta Nelson.

O historiador diz que a proposta era o equivalente, hoje, a R$ 900,00 anuais por 10 anos, e que o pai de Pelé (Seo Dondinho) propôs para R$ 9.000 ao ano pelo mesmo período. “Seo Dondinho está eufórico com o negócio, porém, o jovem Pelé, foi se aconselhar com o colega de Santos F.C e da Seleção, Zito, outro grande nome do futebol brasileiro. Este por sua vez, o aconselhou a desistir do negócio, pois poderia não pegar bem para a imagem do jovem atleta. Sobre a desistência em cima da hora, o rei do futebol até já deu declarações na mídia: “Era um ótimo cachê. Mas na hora H eu disse: pai, isso não é bom pra mim. Propaganda de pinga não pega bem”.

Entretanto, o primeiro lote da cachaça, na época, já havia sido distribuído para o comércio da região, e a usina teve de recolher as garrafas às pressas. E foi assim que surgiu a lenda da Caninha Pelé. “Por conta desta recolha, apenas algumas pessoas conseguiram ter acesso ao produto e que sobraram somente poucas garrafas”.

O pesquisador e colecionador de cachaças Giovani Moser, de Bombinhas, Santa Catarina, é um apaixonado pela cachaça, história e trajetória do destilado brasileiro. Ele possui uma coleção de mais de 11 mil garrafas de cachaça e aguardente, dos mais variados períodos e rótulos raros.  Em visitas a museus dedicados ao destilado e coleções particulares de todo o Brasil, Giovani encontrou algumas Caninha Pelé pelo caminho e, segundo Moser, nas suas pesquisas já somou em torno de 25 unidades originais da Caninha Pelé entre museus e coleções particulares.

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