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Cachaça recusada duas vezes revela rigor de fundador da Pitú com a qualidade

Uma história curiosa sobre os primeiros anos da Pitú chamou a atenção dos visitantes durante passagem pelo centro de visitação da empresa, no dia 18 de julho, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco.

Na ocasião, o CachacistaMT, jornalista e historiador Nelson Alves esteve acompanhado de Francisco Ferreira, de Carlinda, Mato Grosso, e do casal Flávio e Edilene Alves, residente em Portugal. O grupo foi recepcionado pelo colaborador João Vitor, que apresentou momentos da trajetória da Pitú, curiosidades sobre a marca, fatos relacionados aos fundadores e detalhes do processo produtivo.

Entre os relatos compartilhados, um episódio despertou especialmente a atenção dos visitantes por evidenciar o rigor adotado pela empresa na seleção das bebidas desde seus primeiros anos.

O personagem central da história é Joel Cândido Carneiro, o “Seu Joel”, um dos fundadores da Pitú. Na época em que a empresa ainda adquiria aguardentes produzidas por engenhos da região, cabia a ele avaliar se cada carregamento atendia às características exigidas para ser engarrafado e comercializado pela marca.

Segundo João Vitor, a análise era feita de maneira simples, mas dependia de experiência e sensibilidade. Seu Joel colocava uma pequena quantidade da cachaça na palma da mão, espalhava o líquido com movimentos circulares e, em seguida, aproximava a mão do nariz para sentir o aroma deixado pela bebida. “Ele fazia esse teste para avaliar a cachaça e verificar se estava dentro do padrão da Pitú”, contou o colaborador durante a visita.

O procedimento permitia perceber características do produto e identificar se a bebida apresentava a qualidade esperada pela empresa.

Em determinada ocasião, um produtor levou um carregamento para ser vendido à Pitú. Após realizar o teste, Seu Joel recusou a bebida, afirmando que ela não tinha o padrão da marca.

O fornecedor, porém, decidiu tentar novamente.

Algum tempo depois, o carregamento foi reapresentado à empresa com a informação de que a cachaça teria vindo de outro engenho e pertenceria a outro proprietário. A intenção era submetê-la a uma nova avaliação sob uma procedência diferente.

“Disseram que era de outro engenho e de outro dono, mas Seu Joel fez novamente o teste e também não aprovou”, relatou João Vitor.

Sem se deixar influenciar pela origem informada, Seu Joel repetiu o procedimento habitual. Colocou um pouco da bebida na mão, realizou os movimentos circulares, sentiu o aroma e chegou à mesma conclusão: o produto não atendia ao padrão Pitú.

Assim, a cachaça foi recusada pela segunda vez.

Mesmo apresentada sob outra procedência, a bebida demonstrou características que novamente não foram aprovadas por Seu Joel. Sua experiência e memória sensorial prevaleceram sobre as informações apresentadas pelo fornecedor.

O relato causou admiração entre os visitantes por mostrar que, desde os primeiros anos, a Pitú estabelecia critérios rigorosos para os produtos que seriam colocados no mercado com o nome da empresa.

Mais do que uma curiosidade, o episódio revela uma cultura de qualidade construída na origem da marca. Em uma época em que os modernos equipamentos de análise ainda não faziam parte da rotina industrial, o conhecimento, o olfato e a experiência dos fundadores desempenhavam papel fundamental na seleção da bebida.

Fundada em 1938, em Vitória de Santo Antão, a Pitú nasceu em uma região marcada pela tradição canavieira e pela produção de aguardente. Ao longo das décadas, a empresa ampliou sua estrutura, modernizou seus processos e consolidou sua presença em diferentes mercados.

Durante a visita, Nelson Alves e seus acompanhantes também conheceram parte do acervo histórico, embalagens antigas, campanhas publicitárias, produtos e outros episódios que ajudam a contar a trajetória da empresa.

Entre tantos fatos apresentados, a história do carregamento recusado duas vezes ficou como um dos momentos mais marcantes da visitação. O episódio sintetiza um princípio presente na trajetória da Pitú: a qualidade do produto não poderia ser negociada.

A cachaça voltou atribuída a outro engenho e a outro proprietário, mas recebeu de Seu Joel a mesma resposta: não tinha o padrão Pitú.

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