terça-feira, 19 maio 2026
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51% aprovam uma mulher no STF; 6%, religioso; e 46%, negro

Atualmente, só dois ministros do STF se declaram pardos (Kassio Nunes Marques e Flávio Dino) - os demais são brancos

Num momento em que o STF (Supremo Tribunal Federal) tem apenas uma ministra entre seus 10 magistrados, 51% dos brasileiros dizem ser muito importante e 18% um pouco importante a escolha de uma mulher para a corte.

Outros 27% afirmam não ser nada importante esse critério.

Além disso, 46% dizem ser muito importante e 16% um pouco importante a indicação de uma pessoa negra, enquanto 34% afirmam que essa condição não tem importância para a composição do tribunal.

Atualmente, só dois ministros do STF se declaram pardos (Kassio Nunes Marques e Flávio Dino) – os demais são brancos.

As opiniões foram coletadas em pesquisa Datafolha realizada na semana passada, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-00290/2026.

Foram ouvidas 2.004 pessoas em 139 municípios de todo o país, na terça (12) e na quarta (13).

O STF está com a vaga de seu 11º ministro em aberto desde a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.

O presidente Lula (PT) indicou Jorge Messias, advogado-geral da União para substituí-lo, mas sofreu no mês passado uma derrota histórica no Senado —a primeira rejeição, desde 1894, de um escolhido pelo presidente da República para a corte.

Segundo a pesquisa Datafolha, 59% das pessoas não ficaram sabendo que Messias foi rejeitado.

Entre os que souberam, 53% afirmam que isso deixou o governo mais fraco, enquanto 7% dizem que ficou mais forte. Para 36%, o episódio não interferiu na força da gestão Lula.

O levantamento do Datafolha aponta que 46% dos brasileiros dizem ser muito importante e 20% um pouco importante que a pessoa escolhida seja religiosa, característica que era apontada como um dos ativos de Messias, evangélico cuja indicação também era vista como aceno do atual presidente a esse segmento.

Agora, diante da rejeição dele pelo Senado, há mais uma vez a cobrança de algumas entidades em defesa da indicação de uma mulher negra para o STF.

Como mostrou a Folha, porém, Lula manifestou a aliados a intenção de reenviar o nome de Messias, apesar de entraves como uma norma do próprio Senado.

Entre quem pretende votar em Lula, 64% dizem ser muito importante a indicação de uma mulher e 60% de uma pessoa negra.

Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), esses índices caem para 41% e 35%, respectivamente.

A partir de uma lista com oito itens, o Datafolha perguntou se os entrevistados avaliavam determinadas características como muito, um pouco ou nada importantes para a pessoa escolhida para uma cadeira no Supremo.

O item que teve maior taxa de concordância foi o de conhecimento jurídico.

Para 85%, é muito importante que os indicados tenham ótimo saber sobre o direito. Mas 6% avaliaram tal ponto como apenas um pouco importante e outros 6% como nada importante.

A Constituição exige “notável saber jurídico” e “reputação ilibada” para ser ministro do STF.

Os resultados da pesquisa expõem a valorização de algumas características que não seriam necessárias ou recomendáveis para magistrados do tribunal – diante do papel que devem desempenhar, com imparcialidade e equidistância entre as partes.

Para 51%, é muito importante que o indicado ao Supremo tenha lealdade total ao presidente da República que o indicou, enquanto 25% dizem que tal item não é nada importante.

Além disso, 47% veem como muito importante que o nome escolhido para o tribunal tenha afinidade política com deputados federais e senadores.

Ao mesmo tempo, em uma aparente contradição, 64% dizem esperar que os ministros do STF sejam independentes de políticos e partidos.

Por fim, são 53% aqueles que veem como de muita importância o apoio dos atuais magistrados do Supremo a quem tiver que ocupar a próxima cadeira.

No início de seu terceiro mandato, Lula tinha em seu horizonte a perspectiva de indicar dois integrantes ao STF. Diante da aposentadoria antecipada de Barroso, teve esse número elevado para três.

A derrota do presidente com a rejeição de Messias ocorreu num contexto em que tanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), quanto uma ala do Supremo tinham outro nome favorito: o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

Ao optar por Messias, Lula se contrapôs tanto a esses grupos como aos pleitos de parte de seus aliados por uma mulher na mais alta corte do país.

Assim como nas suas duas últimas indicações, o petista também priorizou um nome de sua confiança, em sintonia com seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), que chegou a dizer, à época da escolha de Kassio Nunes Marques, que seu indicado precisava ser alguém que tomasse “uma cerveja” ou “uma tubaína” com ele.

Para a primeira vaga aberta, em 2023, Lula nomeou seu advogado pessoal Cristiano Zanin.

Na sequência, indicou Flávio Dino, seu aliado e à época ministro da Justiça de seu governo, para o posto até então ocupado pela ministra Rosa Weber. Com isso, a corte que tinha duas mulheres passou a ter apenas Cármen Lúcia.

Quanto à pergunta sobre ter lealdade total ao presidente da República que fez a indicação, 63% dos eleitores de Lula avaliam que tal ponto é muito importante, ante 45% dos que preferem Flávio Bolsonaro.

Como mostrou a Folha, caso a indicação de Messias fosse confirmada pelo Senado, o Supremo seguiria com maioria de ministros homens ao menos por quase duas décadas, mesmo que todas as próximas vagas sejam preenchidas por mulheres.

Isso considerando a permanência dos ministros na corte até a idade de aposentadoria obrigatória, de 75 anos.

Caso a cadeira deixada vaga por Barroso não seja preenchida neste mandato, quem ganhar as eleições presidenciais deste ano poderá indicar até quatro nomes para o tribunal.

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