Steak tartare, kibe cru, carpaccio… existem diversas receitas que usam carne bovina crua. Além disso, o ponto do preparo dos bifes pode variar de “bem passado” a “mal passado”, até deixando o interior da carne quase cru. Mas por que não existe tantas variações de preparo com a carne de frango, por exemplo?
O frango é um alimento altamente nutritivo, sendo a carne mais consumida pelos brasileiros. Considerada uma carne “magra”, o frango apresenta baixos níveis de gordura saturada e colesterol, além de ser uma excelente fonte de vitaminas do complexo B, como a B12, que são essenciais para o bom funcionamento do sistema nervoso.
No entanto, a sua estrutura é mais porosa do que a da carne bovina, o que permite uma maior penetração de micróbios causadores de doença e a torna mais vulnerável a contaminações. Esses microrganismos são totalmente eliminados quando a carne é devidamente cozida, destruídos pelas altas temperaturas. Dessa forma, o consumo de frango mal passado ou cru aumenta o risco de desenvolver infecções gastrointestinais.
Certos tipos de carnes, como os peixes, contam com menos bactérias, vírus e parasitas capazes de infectar e causar problemas de saúde em humanos. No caso da carne de frango, no entanto, a lista de perigos iminentes é mais extensa.
Uma das principais preocupações ao se consumir frango cru é a contaminação pela bactéria Salmonella, que causa salmonelose e febre tifoide. De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil, a Salmonella é considerada o principal agente causador de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA). Ambas as infecções geram sintomas como febre, diarreia e vômitos e, embora raro, a falta de tratamento adequado pode resultar em complicações graves, incluindo a morte.
Além da Salmonella, o frango cru também pode ser contaminado pelas bactérias Escherichia coli e Campylobacter jejuni, que podem provocar inflamação do cólon (colite), resultando em sintomas como diarreia, febre e, em casos graves, desidratação.
Frangos cultivados em granjas, ao contrário daqueles criados soltos, que mantém uma dieta mais natural, tendem a ter mais chances de apresentar infecções por bactérias como a Salmonella e a E.coli.
Além das contaminações, há ainda o risco de exposição a substâncias químicas utilizadas durante o processo de industrialização, manipulação e armazenamento dessa carne.
Contudo, é preciso entender que a contaminação pode ocorrer em qualquer tipo de alimento, principalmente aqueles in natura — que não passam por nenhum tipo de processamento. Bifes de carne bovina, por serem pedaços únicos de músculo, são menos propensos a contaminação pois eventuais bactérias presentes durante o abate ou o manuseio geralmente ficam restritas à superfície externa da carne. No entanto, isso não elimina por completo o perigo ao consumi-los crus.
A chave para evitar toda e qualquer tipo de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) é pesquisar e analisar a procedência da carne que se está consumindo. Ao adquirir esses produtos, é essencial observar o cheiro e a coloração. No caso do frango, tonalidades amareladas ou esverdeadas, além de uma textura pegajosa e um odor forte, são sinais claros de que a carne pode estar contaminada.
Certifique-se de que o estabelecimento e/ou o produto possuem o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), vinculado ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA), que supervisiona todas as etapas da cadeia produtiva, desde o aviário até o abatedouro. Além disso, verifique as orientações nos rótulos das embalagens, que incluem medidas preventivas como lavar com água e sabão as superfícies de trabalho, tábuas de corte, utensílios e as mãos após o manuseio da carne crua.








