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Com 193 anos, Jonathan, o animal terrestre mais velho do mundo, vive em uma ilha britânica desde 1832, mantém recorde do Guinness e é alvo de estudos científicos

Jonathan, tartaruga gigante Aldabrachelys gigantea, completa 193 anos em 2025 em Santa Helena, vive desde 1832 e mantém recorde do Guinness World Records como animal terrestre mais velho do mundo

Jonathan, uma tartaruga gigante da espécie Aldabrachelys gigantea, completou 193 anos em 2025 na ilha britânica de Santa Helena, onde vive desde 1832, sendo reconhecido pelo Guinness World Records como o animal terrestre mais velho do mundo, fato relevante para estudos sobre longevidade animal.

Jonathan vive em Santa Helena há décadas e teve sua idade estimada a partir de registros históricos, indicando nascimento em 1832, o que o coloca como referência mundial em estudos de longevidade terrestre reconhecidos oficialmente.

O Guinness World Records reconheceu Jonathan como o animal terrestre mais velho do mundo, consolidando sua importância científica e histórica, além de chamar atenção para fatores evolutivos e biológicos ligados à sobrevivência prolongada.

Explicação evolutiva da longevidade das tartarugas

Especialistas apontam que a longevidade das tartarugas está relacionada à necessidade evolutiva de sobreviver tempo suficiente para transmitir genes, devido à alta taxa de predação de ovos por outros animais.

Segundo Lori Neuman-Lee, professora da Universidade Estadual do Arkansas, em entrevista ao Live Science, cobras e guaxinins consomem muitos ovos, exigindo que tartarugas vivam décadas para garantir reprodução frequente.

 

A estratégia inclui botar muitos ovos várias vezes ao ano, compensando perdas iniciais e explicando por que a sobrevivência prolongada se tornou essencial ao longo da evolução dessas espécies.

 

Neuman-Lee afirma ao Live Science que, mesmo com alta produção de filhotes, a quantidade de predadores impede superpopulação, reforçando a importância da longevidade para manutenção das espécies.

Telômeros e proteção do DNA

No aspecto biológico, pesquisadores destacam o papel dos telômeros, estruturas do DNA que protegem cromossomos durante a divisão celular, prevenindo erros genéticos associados ao envelhecimento.

Em muitos animais, telômeros se desgastam rapidamente, favorecendo doenças como câncer, enquanto nas tartarugas esse encurtamento ocorre de forma mais lenta, preservando a integridade celular por mais tempo.

Neuman-Lee explicou que tartarugas apresentam menor taxa de encurtamento dos telômeros, tornando-as mais resistentes a danos causados por falhas na replicação do DNA, conforme relatado ao Live Science.

Esse mecanismo contribui para maior estabilidade genética ao longo da vida, sendo considerado um dos fatores centrais para a longevidade observada em espécies gigantes.

Apoptose eficiente e resistência a doenças

Outro fator relevante é a eficiência da apoptose, a chamada morte celular programada, que permite eliminar rapidamente células danificadas, reduzindo riscos de câncer ao longo do envelhecimento.

Miguel Trefaut Rodrigues, professor do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da USP, explicou ao Jornal da USP que nos quelônios esse processo é mais eficiente e menos sujeito a erros.

Segundo Rodrigues, há um mecanismo que remove células comprometidas e mantém um conjunto ativo de células vivas capazes de se regenerar, prolongando a vida funcional do organismo.

Esse sistema contribui para menor incidência de doenças degenerativas, mesmo em idades extremas, como observado em Jonathan ao longo de seus 193 anos.

Sistema imune e estabilidade genética

Estudos também indicam que tartarugas mantêm enzimas essenciais à replicação do DNA funcionando corretamente, resultando em menos erros genéticos e maior estabilidade ao longo da vida.

Neuman-Lee pondera que ainda não se sabe se essa característica garante resistência total a falhas genéticas, mas representa uma possível explicação para a incrível longevidade desses animais.

Além disso, tartarugas possuem grande quantidade de proteínas, perforina e granzima, produzidas por células matadoras naturais do sistema imune inato.

José Ribamar Ferreira-Júnior, professor da EACH da USP, afirmou ao Jornal da USP que esse sistema imune eficiente elimina células tumorais e reduz doenças infecciosas em indivíduos mais velhos.

Os 193 anos de Jonathan também refletem fatores ambientais, como vida em cativeiro, ausência de predadores, alimentação balanceada e acompanhamento veterinário constante, elementos que complementam os mecanismos biológicos descritos.

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