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Com 193 anos, Jonathan é o animal mais velho do mundo

Reconhecido pelo Guinness World Records como o animal terrestre mais velho do mundo, Jonathan, uma tartaruga gigante da espécie Aldabrachelys gigantea, completa 193 anos em 2025. Estima-se que ele tenha nascido em 1832 e viva até hoje na ilha britânica de Santa Helena, no Atlântico Sul, atravessando quase dois séculos de história da humanidade.

Jonathan nasceu ainda durante o reinado da rainha Victoria, no Reino Unido, e já tinha cerca de 80 anos quando o Titanic afundou, em 1912. Em 2019, quando tinha 187 anos, o Guinness já havia oficializado seu título de animal terrestre mais longevo do planeta.

Atualmente, Jonathan vive sob cuidados veterinários regulares e se tornou uma espécie de símbolo da ilha de Santa Helena, atraindo a atenção de pesquisadores e turistas de todo o mundo.

Foto tirada em 2017 (Reprodução/Gianluigi Guercia/AFP via Getty Images)

Por que as tartarugas vivem tanto?

A impressionante longevidade das tartarugas não é exclusividade de Jonathan. Segundo o biólogo e ecólogo de tartarugas Jordan Donini, da Florida SouthWestern State College, tartarugas marinhas podem viver entre 50 e 100 anos, enquanto algumas espécies terrestres ultrapassam facilmente um século de vida.

Especialistas apontam duas explicações principais para essa característica: uma evolutiva e outra biológica.

Do ponto de vista evolutivo, viver muito tempo é essencial para a sobrevivência da espécie. “Animais como cobras e guaxinins adoram comer ovos de tartaruga. Para conseguir transmitir seus genes, elas precisam viver bastante e se reproduzir várias vezes ao longo da vida”, explicou Lori Neuman-Lee, professora de fisiologia da Arkansas State University, em entrevista ao Live Science.

O papel dos telômeros

A explicação biológica envolve estruturas chamadas telômeros, que protegem os cromossomos durante a divisão celular. Em muitos animais, esses telômeros se desgastam com o tempo, aumentando o risco de erros genéticos, tumores e morte celular.

Nas tartarugas, esse desgaste ocorre de forma muito mais lenta. “Elas apresentam uma taxa menor de encurtamento dos telômeros, o que as torna mais resistentes a danos associados à replicação do DNA”, afirmou Neuman-Lee.

Estudos recentes também indicam que tartarugas gigantes conseguem eliminar rapidamente células danificadas por meio da apoptose, um processo de morte celular programada. Em testes laboratoriais, células de tartarugas submetidas a estresse oxidativo — condição comum no metabolismo — reagiram destruindo células comprometidas antes que causassem danos maiores ao organismo.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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