RESUMO
O presente artigo tem como objetivo refletir sobre a organização do trabalho pedagógico na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) no âmbito do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Defende-se que a função da SRM não é a de reforço escolar, mas a de promover acesso ao currículo e desenvolver habilidades para a aprendizagem e autonomia, por meio de um planejamento individualizado e articulado com a sala comum.
Palavras-chave: Sala de Recursos Multifuncionais. AEE. Inclusão. Adaptação Curricular. Prática Docente.
INTRODUÇÃO
A Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) é o espaço onde se realiza o Atendimento Educacional Especializado (AEE), conforme a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008). Muitas vezes confundida com reforço, sua função é distinta: identificar barreiras e criar recursos e estratégias que permitam ao estudante com deficiência, TEA ou altas habilidades participar efetivamente da sala comum.
- O TRABALHO COM AS DISCIPLINAS NA SRM
Na SRM, o trabalho com as disciplinas deve ser pensado de forma individualizada, considerando as necessidades educacionais do estudante. O objetivo não é simplesmente “dar reforço” das matérias, mas promover acesso ao currículo e desenvolver habilidades que favoreçam a aprendizagem e a autonomia.
- POSSIBILIDADES POR ÁREA DE CONHECIMENTO
Português: leitura e interpretação com textos curtos, imagens, histórias em sequência, jogos de alfabetização, produção de frases e uso de recursos de comunicação alternativa e aumentativa (CAA) quando necessário.
Matemática: atividades práticas com materiais concretos, jogos, dinheiro fictício, calendário, relógio, contagem, resolução de situações-problema do cotidiano e recursos visuais.
Ciências: experiências simples, objetos concretos, vídeos, imagens, classificações e atividades relacionadas ao cotidiano do aluno.
História e Geografia: trabalhar conceitos por meio de imagens, mapas adaptados, linha do tempo, histórias, maquetes e situações vivenciadas pelo estudante.
Educação Física: explorar movimentos, coordenação motora, equilíbrio, lateralidade e jogos adaptados, quando isso estiver relacionado às necessidades do aluno.
Arte: utilizar desenho, pintura, colagem, recorte e música e diferentes materiais para desenvolver expressão, criatividade, coordenação e comunicação.
- UM PONTO IMPORTANTE: PARTIR DA HABILIDADE, NÃO DA DISCIPLINA
Na SRM, é interessante partir da habilidade que o estudante precisa desenvolver, e não apenas da disciplina.
Assim, o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) pode articular o trabalho com o professor da sala comum, identificando as barreiras enfrentadas pelo estudante e planejando recursos, estratégias e adaptações que possibilitem sua participação nas atividades curriculares.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Trabalhar na SRM exige olhar clínico-pedagógico. Não se trata de repetir o conteúdo da sala comum, mas de criar caminhos alternativos para que o mesmo conteúdo seja acessível. Quando o planejamento é centrado na habilidade e conta com recursos concretos e visuais, o aluno avança em autonomia e o professor da sala comum se sente mais seguro para incluir.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, 2008.
BRASIL. Decreto nº 7.611/2011 – Dispõe sobre o Atendimento Educacional Especializado.
¹ Professora da Educação Básica, habilitada em Pedagogia pela UFMT (NEAD), pós-graduada em Gestão Escolar pelo Instituto Prominas e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pelo Centro Universitário Faveni – UNIFAVENI. E-mail: angelaoliveira2016@hotmail.com.








