Em toda eleição surge uma multidão de pré-candidatos que, embora saibam das reduzidas possibilidades de vitória, insistem em se apresentar como alternativas viáveis. Naturalmente, toda pessoa tem o direito de disputar. O problema começa quando a candidatura deixa de representar um projeto para a sociedade e passa a funcionar como investimento político pessoal.
Para alguns, entrar no páreo pode significar a expectativa de receber uma parcela generosa do Fundo Eleitoral, que em 2026 soma aproximadamente R$ 4,9 bilhões. A distribuição dos recursos, porém, não é automática nem igualitária: depende dos critérios definidos pelas direções partidárias e deve ser submetida à prestação de contas.
Para outros, a campanha serve como um grande ensaio publicitário. O objetivo imediato talvez nem seja vencer, mas aparecer, acumular seguidores, circular pelos municípios e construir notoriedade para disputar uma prefeitura em 2028 — especialmente onde já se movimenta a sucessão do atual prefeito.
É nesse cenário que aparecem nomes pitorescos, apelidos espalhafatosos, slogans de gosto duvidoso, performances forçadas e personagens fabricados para render vídeos, memes e alguns segundos de atenção. A política, que deveria ser espaço de ideias, propostas e responsabilidade, acaba muitas vezes transformada em palco de vaidades.
O eleitor precisa observar quem apresenta um projeto verdadeiro e quem está apenas fazendo campanha para si mesmo. Porque uma candidatura pode até não chegar ao mandato, mas ainda assim garantir dinheiro público, exposição e capital político para a próxima disputa.
No fim, cabe perguntar: determinados pré-candidatos estão realmente preocupados com o futuro da população ou apenas usando a eleição de 2026 como trampolim para 2028?







