O Programa de Pós-graduação em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola (PPGASP) da Universidade do Estado de Mato Grosso, (UNEMAT) campus de Tangará da Serra, promoveu uma roda de conversa com representantes do povo Paresi. O encontro discutiu a evolução da produção agrícola nos territórios indígenas.
Os indígenas Joscelio Onizokaece e Romero Zonaezokemae apresentaram a trajetória do povo Paresi na agricultura. Tradicionalmente ligados à lavoura de subsistência, o cacique identificou a possibilidade de iniciar a produção própria em larga escala, reunindo indígenas de diferentes etnias e com recursos próprios, evoluindo então de um sistema de associação para cooperativas. Hoje, tornaram-se referência no Estado de Mato Grosso pela produção agrícola em território indígena.
O cultivo em maior escala é realizado em áreas já utilizadas para atividades agrícolas. Atualmente, a produção ocupa menos de 2% do território indígena, o que equivale e cerca de 19 mil hectares destinados ao plantio e distribuídos em oito pequenas áreas.
As primeiras lavouras foram de soja e milho safrinha. Posteriormente, passaram a produzir milho-pipoca e outros cultivares. Romero Zonaezokemae, diz que, apesar dos avanços, ainda existem desafios importantes, como a regularização ambiental e a dificuldade de acesso a sementes convencionais (não transgênicas). Nesse contexto, as cooperativas desempenham papel fundamental na comercialização da produção e na qualificação profissional indígena.
Outra dificuldade é o acesso à comercialização dos grãos produzidos. “Apesar de nossa produção não ser transgênica e, por isso, mais suscetível a pragas, não recebemos o valor agregado que outros produtores não indígenas recebem, o que reduz nosso lucro”, afirma Romero Zonaezokemae. Além disso, a dificuldade em acessar linhas de crédito aos povos tradicionais impossibilita a aquisição de maquinário agrícola. Assim, a colheita segue com o aluguel de maquinário.
A partir da produção realizada, o lucro obtido é destinado a todos os integrantes do povo
indígena e, até mesmo aldeias de não cooperados, fazem parte da divisão dos lucros. A distribuição de renda de forma igualitária contribui para a segurança alimentar e ajuda a reduzir a desnutrição nas aldeias. Parte dos recursos também é reinvestido nas comunidades, fortalecendo a cultura, enquanto o restante é administrado pelas cooperativas para novos plantios ao longo do ano.
De acordo com os docentes Dr. Hilton Marcelo de Lima Souza e Dr. Raimundo França do PPGASP, a interlocução entre a Unemat e os povos originários como os povos Paresi permitem a troca de saberes e experiências sobre os desafios enfrentados para garantir o avanço na produção agrícola pelos povos indígenas.
Com foco na promoção da própria autonomia produtiva aliada ao respeito ambiental, o PPGASP encontra nos povos Paresi um exemplo prático de agricultura realizada com equilíbrio ambiental e compromisso social.
Sobre o programa
O Programa de Pós-graduação em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola (PPGASP) da Universidade do estado de Mato Grosso – UNEMAT – segue consolidando sua atuação na formação de pesquisadores e profissionais qualificados, garantindo a formação acadêmica na área interdisciplinar aliada a vocação socioeconômica regional.
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