O que parecia uma ação de solidariedade no domingo de Páscoa revelou-se, após investigação da Polícia Civil, uma sofisticada estratégia de promoção de organização criminosa. A Delegacia de Campo Novo do Parecis concluiu, nesta semana, o inquérito que indiciou J.V. por promover facção criminosa e corrupção de menores.
A Investigação
O monitoramento da Polícia Civil teve início quando movimentações atípicas foram registradas nos bairros Boa Esperança, Residencial Parecis e Jardim das Palmeiras. Sob o pretexto de distribuir doces, o grupo buscava criar um “vínculo de gratidão” com a comunidade local, uma tática conhecida no mundo do crime para dificultar a atuação policial e recrutar novos membros entre os jovens.
Logística e Apreensão
A polícia identificou que J.V. era o “cérebro” por trás da logística. Ele coordenava desde a procedência duvidosa dos produtos até a escala de distribuição, utilizando adolescentes para a entrega direta — uma tática para evitar prisões de adultos e já iniciar os menores na hierarquia do grupo. No total, foram apreendidos 195 ovos de Páscoa e 142 kits de doces, todos sem nota fiscal ou identificação de origem.
O Crime por trás da “Bondade”
Segundo a autoridade policial responsável pelo caso, a ação não era assistencialista, mas sim estruturada com divisão clara de tarefas e metas de alcance de público infantil. O suspeito foi indiciado com base na Lei de Organizações Criminosas, com agravantes severos pela participação de menores de idade.
“A sociedade precisa compreender que essas ações financiadas pelo crime organizado não são auxílio, são investimento no ciclo da violência”, destacou a nota da delegacia. O procedimento foi enviado ao Poder Judiciário para o início da ação penal.


