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Mãe de bombeiro tangaraense morto em treinamento desabafa. Justiça tarda e não chega

 

A mãe de Rodrigo Claro, morto após integrar um treinamento do Corpo de Bombeiros, teceu duras críticas ao Poder Judiciário depois que o juiz João Bosco Soares da Silva, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, extinguiu a punibilidade da tenente Izadora Ledur, condenada por maus-tratos ao aluno.

Em um desabafo feito à imprensa, Jane Claro lamentou a morosidade da Justiça, que garantiu impunidade à tenente, condenada a um ano de prisão pelos maus-tratos que culminaram na morte de seu filho, que à época morava com a família em Tangará da Serra.

“A Justiça tarda mas não falha, reza o ditado popular. Ou melhor, rezava. Hoje, os brasileiros sabem que só a primeira metade desse ditado continua verdadeira. No Brasil, a Justiça tarda tanto que na maioria das vezes não chega”, disparou a mãe.

Rodrigo Claro morreu há quase seis anos, em 2016, depois de participar de um curso do Corpo de Bombeiros. Na ocasião, ele apresentou dificuldades na natação e, ao invés de prestar apoio ao aluno, Ledur teria começado a submergi-lo na água, afundando-o por reiteradas vezes. O jovem chegou a ficar internado e morreu cinco dias depois.

A denúncia foi oferecida em 2017 e Ledur foi condenada por maus-tratos apenas em 2021. Eximida da acusação de tortura, a militar ainda tentou reverter a sentença recebida, fazendo com que o processo só transitasse em julgado neste mês.

Com isso, seus advogados pugnaram pela extinção de punibilidade, levando em conta o prazo prescricional de quatro anos. O juiz João Bosco Soares da Silva acolheu a argumentação em despacho do dia 19.

“O resultado é a impunidade, que dá aos piores bandidos o salvo-conduto para continuar a prática de seus crimes, como é o caso da tenente do Corpo de Bombeiros de MT Izadora Ledur”, lamentou Jane Claro.

A mãe do aluno morto após a sessão de afogamento no treinamento comandado por Ledur afirmou ainda que a decisão traz descrédito ao Poder Judiciário. “A parcela de brasileiros que batem à porta do Judiciário com esperança de ver um erro reparado é ínfima (…) não existe nesse país uma lei que proteja a vítima ou seus familiares, somos jogados à própria sorte”, completou.

 

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