Um registro impressionante trouxe à tona um dos lados mais implacáveis da sobrevivência na vida selvagem: o canibalismo entre jacarés. O comportamento, flagrado pelo biólogo e fotógrafo Lucas Morgado, mostra um indivíduo adulto predando outro da mesma espécie.
Apesar de impactante, a cena, que ocorreu no refúgio ecológico Caiman, em Miranda, Pantanal de Mato Grosso do Sul, tem explicação.
Morgado, que também é guia da natureza no projeto Onçafari, explica que o canibalismo entre os jacarés não é um ato de “crueldade”, mas sim resposta evolutiva a fatores ambientais severos.
Os principais motivos que disparam esse comportamento são:
- Escassez Extrema e Seca: durante as grandes secas no Pantanal, os corpos d’água encolhem drasticamente. Com menos peixes e outras presas disponíveis, os jacarés recorrem uns aos outros para não morrerem de fome.
- Controle Populacional Natural: os adultos frequentemente predam filhotes ou indivíduos mais jovens e fracos. Isso ajuda a regular a densidade populacional da espécie em momentos em que o ambiente não suporta muitos indivíduos.
- Disputa de Território: com a redução da água, centenas de jacarés são forçados a compartilhar o mesmo espaço (as famosas “aglomerações” em lagoas secas). Os conflitos por território aumentam, e o animal derrotado muitas vezes acaba virando alimento para o dominante.
“Apesar de ser um comportamento conhecido na espécie, principalmente em épocas de escassez e longas secas, foi a primeira vez que presenciei algo assim”, contou nas redes sociais.
Quanto mais longa e severa é a temporada de seca, mais frequentes se tornam esses registros.
Aliás, uma curiosidade é que o estômago do jacaré possui um dos ácidos mais fortes do reino animal. Eles conseguem digerir placas ósseas, couro e até dentes de outros jacarés sem grandes dificuldades, aproveitando quase 100% dos nutrientes da presa.






