Principal alvo da megaoperação realizada na terça-feira (28) no Rio de Janeiro, o Comando Vermelho (CV) é a organização criminosa mais atuante, em Mato Grosso. Ao parabenizar o governo do Rio pela ação policial, que deixou mais de 130 mortos, o governador do Estado, Mauro Mendes (União), voltou a criticar a legislação brasileira e lamentou o avanço das facções no país.
“Cenas como essas são lamentáveis, mortes são lamentáveis, mas é necessário ter coragem para enfrentar a criminalidade. Neste momento, eu quero lamentar tudo que está acontecendo no Rio de Janeiro, mas quero parabenizar as forças de segurança daquele Estado, o governador Claudio Castro (PL) pela coragem de fazer esse enfrentamento porque não é possível deixar que criminosos e bandidos dominem bairros, regiões, cidades inteiras no nosso país”, disse Mendes em uma publicação nas redes sociais.
Para o governador, é lamentável que as leis brasileiras, durante tantos anos, permitiram que “as coisas chegassem aonde chegaram”. “Bandido não respeita mais a polícia, não respeita mais a pena, perdeu o medo do nosso Judiciário. Nós precisamos mudar isso no Brasil”, avalia.
No Estado, no entanto, o CV tem atuado cada vez mais na expansão de seus negócios criminosos. Para além do tráfico de drogas, as ações das forças de segurança e agentes ambientais contra o grupo criminoso, mostram que a facção tem diversificado os crimes visando aumentar seu poder e sua receita. Entre essas atividades estão extorsão, garimpos e jogos ilegais.
Também a prisão de Ederson Xavier de Lima, conhecido como “Boré”, 43 anos, apontado como um dos líderes do CV em nível estadual, evidenciou a conexão interestadual do grupo, uma vez que ele foi capturado em uma praia em Niterói (RJ), no fim de setembro passado.
O faccionado estava na companhia de dois comparsas, que também foram presos em flagrante pelos crimes de uso de documento falso e receptação. Na ocasião, a Polícia Civil destacou que a prisão dos criminosos integrou um trabalho para recaptura de foragidos que usam o Rio de Janeiro como esconderijo.
Já no dia 14 deste mês, o grupo chefiado por Boré foi alvo novamente da Polícia Civil, que deflagrou a operação “Raspadinha do Crime”, que desarticulou um esquema de jogos de azar responsável por movimentar mais de R$ 3 milhões em apenas seis meses com a venda de raspadinhas ilegais em mais de 20 cidades mato-grossenses.
De acordo com as investigações, o esquema utilizava comerciantes mato-grossenses para vender raspadinhas clandestinas e lavar dinheiro proveniente de outras atividades criminosas. O jogo, identificado como “Raspa Brasil”, não tinha autorização do Governo Federal e funcionava de forma totalmente clandestina.
Contudo, era um esquema estruturado como o tráfico, em que os suspeitos nomeavam responsáveis locais para distribuir as raspadinhas, recolher o dinheiro e prestar contas ao núcleo central, que funcionava em Cuiabá, com ligação direta com o Rio de Janeiro.
A atividade criminosa do CV em áreas de garimpo ilegal também foi constatada em mais uma operação realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entre 28 e 30 de setembro passado, para a desintrusão de invasores na Terra Indígena Sararé, que fica em Pontes e Lacerda (448 km ao Oeste de Cuiabá).
A ação mirou a área denominada “Garimpo do Cururu”, onde atividades criminosas persistiam de maneira intensa e onde estariam concentrados e escondidos criminosos do Comando Vermelho. Por lá, o CV, conforme o Ibama, vinha exercendo o controle de diversas áreas dentro do território indígena com grupos fortemente armados, munidos de grande quantidade de armamentos de uso restrito.
MEGAOPERAÇÃO – Considerada a mais letal da história, a operação “Contenção” deflagrada, na terça-feira (28), na região da Penha, no Complexo do Alemão, teve como objetivo combater o avanço do Comando Vermelho na capital carioca. Até ontem pela manhã, eram contabilizadas mais de 130 mortes. Entres os mortos, dois policiais civis e dois militares.



