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Por que agosto é o mês do ‘cachorro louco’? Entenda a origem da fama

Agosto chegou e, com ele, a velha crença popular sobre ser o “mês do cachorro louco”. Para muita gente, o oitavo mês do ano é sinônimo de azar, cautela e medo. Mas será que os cachorros realmente ficam mais “loucos” em agosto e má sorte toma conta?

A resposta passa longe de uma simples superstição. A fama do mês reúne história, tradição popular e acontecimentos que, ao longo dos anos, ajudaram a construir a imagem de agosto como um período cercado de mistérios e “desgraças”.

Segundo o historiador Francisco das Chagas Rocha, do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, a fama de agosto como “mês do desgosto” tem diferentes origens e ganhou força com acontecimentos históricos marcantes e por crenças transmitidas de geração em geração.

Já a expressão “mês do cachorro louco” está relacionada a uma antiga associação entre o período de reprodução dos cães, as brigas entre animais e o temor da raiva. Em épocas em que a vacinação não tinha a eficácia e a abrangência de hoje, mordidas de animais infectados contribuíam para o medo da doença e acabaram alimentando o imaginário da população, mas a ciência coloca alguns pontos nessa história.

A médica veterinária Susielene Rodrigues Martins Costa Barbosa explica que não existe evidência científica de que agosto provoque aumento nos casos de raiva ou deixe os cães mais agressivos. Ou seja, o cachorro não consulta o calendário antes de decidir se vai arrumar confusão.

Segundo a especialista, alterações no comportamento dos animais podem ocorrer por diversos motivos, como medo, dor, estresse, cio, disputas territoriais, doenças e mudanças na rotina. A raiva também não escolhe mês para aparecer e pode ocorrer durante todo o ano.

A crença, no entanto, permanece viva. Para o historiador Francisco Chagas, as superstições sobrevivem porque fazem parte da memória, da cultura e das tradições familiares.

“Uma pessoa pode saber que determinada superstição não tem comprovação científica e, mesmo assim, continuar seguindo-a por respeito aos ensinamentos dos pais e avós”, argumenta Francisco das Chagas.

Entre fatos históricos, histórias contadas pelos mais velhos, fé e tradições populares, o mês ganhou uma fama que resiste ao tempo e a todos os estudos que comprovem ser mais um período comum.

Se depender da ciência, os cães podem ficar tranquilos: agosto é apenas mais um mês. Já a superstição, essa continua firme e aparentemente não pretende tirar férias tão cedo.

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