A cada 15 dias, bem cedo, o centro de Porto Estrela ganha cores, aromas e sabores que vêm diretamente do campo. A Feirinha do Produtor Rural, apoiada pela administração municipal sob gestão do prefeito Márcio Pescador, transforma-se em ponto de encontro entre quem planta e quem consome, oferecendo à população produtos frescos, livres de agrotóxicos e produzidos pela agricultura familiar da região.
No local, a variedade é grande: verduras, frutas, legumes, derivados do leite como queijos e requeijão, doces caseiros, bolos, salgados e bebidas. Mas quem dá vida à feira são os produtores que, com esforço e dedicação, percorrem longas distâncias para levar o melhor da roça à mesa dos consumidores.

“Vamos”: a determinação de quem não desiste
Lenice Conceição da Silva e Joelson, seu companheiro, moram no Vão Grande, comunidade distante cerca de 120 quilômetros de Porto Estrela. A distância não foi suficiente para afastá-los da feira — pelo contrário, a vontade de Lenice foi decisiva para que o casal continuasse no comércio.
“Ele queria desistir, porque nós moramos muito distante. Daqui lá dá uns 120 quilômetros. Aí eu falei: ‘Não, vamos’, conta Lenice, com a firmeza de quem acredita no trabalho.
O casal produz de tudo: mandioca, banana, farinha, maxixe, ovos, além de criar porcos, galinhas e vacas. Quando vêm à feira, trazem o carro próprio carregado de produtos da propriedade. E o esforço vale a pena: a comercialização na feira é praticamente integral. “A maioria nós vende tudo. Tudo que nós traz, nós vende”, cita a pequena produtora.
Para Lenice e Joelson, a renda obtida a cada quinze dias é essencial para a manutenção da família. As vendas ajudam a quitar parcelas de carro e moto, além de cobrir os compromissos do dia a dia. A feira, explica ela, é mais do que um ponto de venda: é uma fonte de sustento que mantém a estrutura familiar em pé.
Madrugada no Vãozinho para chegar cedo
Do outro lado da estrada, Márcia do Carmo, moradora da comunidade do Vãozinho, segue rotina semelhante. Para chegar no horário ideal na feira, o despertador toca ainda na madrugada. “A gente sai de lá por volta das 3:00, 3:30. 5 horas a gente já tá aqui.”
Márcia também vem de carro próprio e traz tudo do sítio da família. Entre a diversidedade de seus produtos estão as bananas da terra e a banana anã — esta última, explica ela, diferencia-se apenas pelo tamanho do pé, já que cresce menos que a variedade tradicional.
Para Márcia, a feira é uma alternativa indispensável para quem vive no campo. No sítio, nem todos conseguem sair para trabalhar fora, o que torna a produção local e a comercialização direta estratégias fundamentais de subsistência.

Um espaço de valorização da agricultura familiar
A Feirinha do Produtor Rural de Porto Estrela vai além da simples comercialização. Ela representa a valorização da agricultura familiar, o resgate de hábitos alimentares saudáveis e a aproximação entre campo e cidade. Ao optar pelos produtos da feira, o consumidor leva para casa não apenas alimentos frescos e sem agrotóxicos, mas também a garantia de que está contribuindo diretamente para a economia de famílias que, com trabalho e perseverança, mantêm viva a tradição do cultivo da terra.
Com o apoio da gestão do prefeito Márcio Pescador, o espaço se consolida como um importante polo de geração de renda e inclusão produtiva para as comunidades rurais do município e região.




