O abandono escolar no ensino médio brasileiro atingiu, em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica do Ministério da Educação (MEC), em 2007.
Dados do Censo Escolar, do MEC, divulgados na sexta-feira (26), mostram que apenas 2,5% dos estudantes das escolas públicas deixaram de frequentar as aulas durante o ano letivo, uma redução de 34% em relação a 2023.
A melhora ocorre após a implantação do programa Pé-de-Meia, principal política do Governo Federal para combater a evasão escolar.
Criado em 2024, o programa oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Os alunos recebem parcelas mensais ao longo do ano letivo, depósitos em uma poupança liberada ao fim de cada série concluída e um bônus adicional para aqueles que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 
O objetivo é reduzir o abandono escolar entre jovens de baixa renda, um dos principais desafios da educação brasileira.
Embora especialistas afirmem que ainda é cedo para atribuir toda a melhora ao programa — já que os indicadores vinham apresentando recuperação após os efeitos da pandemia de Covid-19 —, o MEC considera o Pé-de-Meia um dos principais responsáveis pelo avanço observado nos últimos dois anos.
“O Pé-de-Meia é o carro-chefe dessa política”, afirmou o ministro da Educação, Leonardo Barchini, ao destacar que os resultados também refletem investimentos em escolas de tempo integral, alimentação escolar, transporte e maior articulação entre União, estados e municípios.
Além da queda no abandono, o país também registrou redução da reprovação no ensino médio público.
A taxa caiu de 5,7% em 2023 para 3,2% em 2025, enquanto o percentual de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar diminuiu de 24,3% para 17,6%.
Os números do Censo Escolar mostram que Mato Grosso não apenas acompanhou essa tendência como apresentou indicadores superiores à média brasileira.
A rede estadual registrou 99,2% de aprovação no ensino médio, o terceiro maior índice do país, atrás apenas de Piauí (99,5%) e Pará (99,3%), e à frente do Espírito Santo (98,8%).
A média nacional das redes estaduais ficou em 94,3%.
Dos mais de 117 mil estudantes matriculados no ensino médio da rede estadual mato-grossense, apenas 820 foram reprovados.
Outro dado que chama atenção é o baixo índice de abandono escolar.
Segundo o levantamento, nenhum estudante deixou a escola durante o 1º e o 2º anos do ensino médio.
Apenas 117 alunos interromperam os estudos no 3º ano.
O resultado coloca Mato Grosso entre os estados com melhor desempenho na permanência dos estudantes na escola, um dos principais indicadores acompanhados pelas políticas educacionais.
APROVAÇÃO NÃO BASTA – Apesar dos avanços, especialistas em Educação alertam que altas taxas de aprovação e redução da evasão precisam ser analisadas juntamente com os indicadores de aprendizagem.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal referência nacional da qualidade do ensino, considera tanto as taxas de aprovação quanto o desempenho dos estudantes nas provas de Língua Portuguesa e Matemática aplicadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Por isso, embora Mato Grosso tenha alcançado um resultado expressivo no Censo Escolar, será necessário verificar se esse desempenho também será refletido nas avaliações de aprendizagem.
Outro ponto observado por especialistas é que alguns estados com forte crescimento na aprovação modificaram suas políticas de progressão escolar.
O Pará implantou, em 2023, um sistema de progressão continuada em que a reprovação ocorre apenas ao final do ciclo do ensino médio. O Piauí adotou modelo semelhante em 2024.
No caso de Mato Grosso, os dados do Censo Escolar evidenciam uma combinação positiva de elevada aprovação e baixíssimo abandono escolar, sem registro de mudanças estruturais semelhantes no modelo de progressão.
O próximo desafio será transformar essa permanência dos estudantes em melhores resultados de aprendizagem, consolidando os avanços da educação pública estadual.




