O Secretário de Turismo de Barra do Bugres e Presidente da Instância de Governança Regional (IGR) das Nascentes, Wesley Oennig, não esconde a satisfação ao avaliar o roteiro de reuniões que cumpriu ao lado dos consultores do Sebrae, Silvia Fraga e Sidnei Varanis, na última semana. Para ele, o saldo das conversas com autoridades de Campo Novo dos Parecis, Campos de Júlio, Brasnorte, Sapezal e Tangará da Serra superou as expectativas e confirmou que a regionalização turística da região saiu do campo das ideias e ganhou consistência operacional.
“Saímos de Barra do Bugres com um objetivo claro: verificar na prática se os municípios estavam realmente alinhados com a proposta de integrar nossos atrativos em uma única oferta turística. O que encontramos foi uma receptividade intensa. Prefeitos, secretários, vereadores — todos demonstraram não só interesse, mas compromisso concreto de colocar recursos e políticas públicas à disposição desse projeto”, relatou Oennig.
Segundo o presidente da IGR, o diferencial desta imersão em relação a agendas anteriores foi a percepção de que os gestores municipais deixaram de ver o turismo como uma pasta secundária e passaram a enxergá-lo como vetor de desenvolvimento econômico regional. “Em Campo Novo dos Parecis e Campos de Júlio, no dia 28, percebemos que já existe uma movimentação interna para estruturação. Não estamos mais chegando para convencer ninguém. Estamos chegando para organizar o que já está em andamento. Isso muda completamente a dinâmica do trabalho”, avaliou.
Em Brasnorte e Sapezal, no dia 29, Oennig destacou a maturidade das discussões sobre o etnoturismo. Ele ressaltou que a conversa não se limitou às potencialidades culturais, mas avançou para questões práticas: infraestrutura de acesso, capacitação de guias locais, protocolos de segurança e, principalmente, a regularização dos atrativos junto aos órgãos competentes.
“O que me chamou atenção em Brasnorte foi a clareza das lideranças indígenas e das autoridades municipais sobre o que é preciso para receber turista estrangeiro. Eles sabem que não basta ter a cultura – é preciso ter estrutura. Já em Sapezal, o vice-prefeito e a secretária de turismo apresentaram um planejamento de expansão da rede hoteleira que mostra que o município está pensando grande”, comentou.
O encontro com o prefeito Vander Masson, em Tangará da Serra, no dia 30, foi apontado por Oennig como um dos momentos importantes da agenda. Para ele, a robustez da infraestrutura local – rede hoteleira, restaurantes e acesso rodoviário – posiciona o município como peça-chave para viabilizar roteiros de maior complexidade logística.
“Tangará da Serra tem tudo para ser o hub dessa operação. Quando você fala em receber turista internacional por 10 a 15 dias, você precisa de um lugar que dê suporte a isso. A cidade tem hotéis, tem gastronomia, tem acesso. E o mais importante: o prefeito entendeu que o turismo não é concorrência entre municípios, é complementaridade. Um turista que dorme em Tangará pode visitar Brasnorte no dia seguinte. Isso é regionalização na prática”, explicou.
O turista estrangeiro no centro da estratégia
Wesley Oennig reforçou que a avaliação positiva do roteiro se sustenta na convergência de todos os municípios em torno de um público-alvo: o turista internacional. Ele explicou que a estadia prolongada desse visitante – entre 10 e 15 dias – exige uma cadeia de serviços integrada, e que as reuniões confirmaram que a região está se preparando para isso.
“O turista estrangeiro que vem para cá não quer um passeio de três horas. Ele quer imersão. E para isso, cada município precisa ter seu papel. Barra do Bugres como portal de entrada pelo aeroporto de Internacional de Varzea Grande/Cuiabá, Campos de Júlio como porta do Norte, Sapezal e Brasnorte com o etnoturismo e o agronegócio, Tangará com a infraestrutura de apoio. Quando você soma isso tudo, você tem um produto turístico que nenhum outro lugar do Brasil oferece com essa configuração”, projetou.
Legalidade e segurança como diferenciais
Outro ponto destacado na avaliação do secretário foi o compromisso assumido pelos gestores em manter todos os atrativos dentro da legalidade, com anuência da FUNAI, acompanhamento do Governo do Estado e estruturação de seguros para os visitantes.
“Não estamos falando de turismo informal. Estamos falando de um produto formatado, legalizado, seguro. Isso é o que vai diferenciar a nossa rota no mercado internacional. O turista estrangeiro exige isso, e nós estamos entregando. Nas reuniões, todos os prefeitos assumiram esse compromisso. Não houve resistência”, afirmou.
O saldo: “região pronta para o próximo passo”
Ao final da imersão, Oennig não hesitou em classificar o resultado como um marco para a IGR das Nascentes. Para ele, a região deixou para trás a fase de diagnóstico e entrou na fase de execução.
“O saldo é extremamente positivo. Saímos de três dias de reuniões com compromissos firmados, prazos definidos e uma rede de contatos que fortalece a governança regional. O Ministério do Turismo, quando olhar para cá, não vai ver seis municípios isolados. Vai ver uma região que se organizou, que tem projeto, que tem gente comprometida. E isso é o que atrai investimento, é o que atrai turista, é o que gera emprego e renda. Essa foi a maior conquista dessa semana”, concluiu.




