sábado, 18 abril 2026
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Brasil dá adeus definitivo à TV analógica e abre caminho para expansão do 4G

Medida encerra ciclo de transição tecnológica que possibilitou liberação da faixa de frequência de 700 MHz para expansão da rede 4G

O Brasil concluiu, oficialmente, o processo de desligamento da televisão analógica, dando novo passo para a modernização da TV aberta e para ampliar a conectividade de internet no país. O anúncio foi feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na segunda-feira (9).

A medida encerra ciclo de transição tecnológica que levou televisão digital para milhões de brasileiros e possibilitou a liberação da faixa de frequência de 700 MHz, considerada essencial para ampliar a cobertura da internet móvel 4G em todo o território nacional.

O processo foi coordenado pelo Grupo de Implementação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired) e teve sua conclusão efetiva em dezembro de 2025, após anos de implementação em diferentes regiões do país.

Para o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o encerramento do desligamento representa um marco para o setor de comunicações no Brasil.

“O desligamento da TV analógica marca um avanço importante para o Brasil. Além de levar mais qualidade de imagem e som para milhões de brasileiros com a TV digital, essa transição também permitiu liberar espectro para ampliar a cobertura da internet móvel 4G, fortalecendo a conectividade e a inclusão digital em todo o país”, destacou o ministro.

Digitalização da TV

Durante a apresentação de um balanço da política pública, o presidente do Gired, Octavio Penna Pieranti, detalhou os resultados do processo de digitalização da televisão no país.

Segundo ele, ao longo da transição tecnológica:

  • Mais de 14 mil canais analógicos foram desligados;
  • 20 mil canais digitais passaram a integrar o plano básico de radiodifusão;
  • Mais de 14 milhões de kits de TV digital foram distribuídos gratuitamente para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).

Ex-Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, e o presidente da EBC, Jean Lima, durante evento de apresentação da TV 3.0

Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, e o presidente da EBC, Jean Lima, durante evento de apresentação da TV 3.0 (Imagem: Fabio Rodrigues- Pozzebom/Agência Brasil)

Além de modernizar o sistema de radiodifusão brasileiro, o desligamento da TV analógica também permitiu liberar a faixa de 700 MHz do espectro de radiofrequência. Essa faixa é considerada estratégica para ampliar a cobertura da internet móvel 4G, especialmente em áreas com menor infraestrutura de telecomunicações.

Com a reorganização do espectro, foram viabilizados novos investimentos em redes móveis e na expansão do acesso à internet em diversas regiões do país.

De acordo com Pieranti, o processo de digitalização também deixou saldo remanescente de cerca de R$ 500 milhões, que está sendo direcionado para novos projetos nas áreas de telecomunicações e radiodifusão.

No setor de telecomunicações, parte desses recursos foi usada para financiar leilões reversos destinados à implantação de estações 4G em distritos que ainda não possuíam cobertura de internet móvel. Já na área de radiodifusão, os investimentos serão aplicados em iniciativas consideradas estratégicas, entre elas:

  • TV 3.0, a nova geração da televisão aberta (saiba mais aqui);
  • Digitaliza Brasil, programa voltado à expansão da TV digital;
  • Brasil Digital, iniciativa destinada ao fortalecimento da infraestrutura de comunicação.

Gired é estendido até 2027 e foco total na TV 3.0

Embora o desligamento analógico tenha sido concluído, o trabalho do Gired (Grupo de Implementação) foi oficialmente prorrogado até o fim de 2027. O objetivo é gerir o saldo remanescente de R$ 500 milhões em novos projetos de conectividade e inovação.

De acordo com o balanço detalhado, a verba será dividida da seguinte forma:

  • R$ 250 milhões para a instalação de estações 4G em distritos que ainda não possuem cobertura móvel.
  • R$ 87 milhões destinados especificamente à evolução do sistema de TV Digital (TV 3.0) até o final de 2026.
  • R$ 45 milhões para a manutenção e monitoramento das estações já instaladas pelo programa Digitaliza Brasil.
  • R$ 105,5 milhões para o fortalecimento da infraestrutura do programa Brasil Digital.
Rodrigo Mozelli
Redator(a)
   Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Layse Ventura
Editor(a) SEO
Layse Ventura é jornalista (Uerj), mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (Ufsc) e pós-graduada em BI (Conquer). Acumula quase 20 anos de experiência como repórter, copywriter e SEO.
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