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Mais Médicos está em 117 cidades e áreas remotas são desafio

Em Mato Grosso, 82% dos municípios (117) contam com 376 profissionais do programa federal Mais Médicos que alcança 20,7% da população. Dos 440 postos autorizados para o Estado, 64 continuam ociosos. Neste mês, o estado recebeu 38 novos médicos na segunda chamada do 41º ciclo do programa, distribuídos em 29 municípios e 3 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei). O desafio maior continua sendo o preenchimento integral das vagas disponíveis, sobretudo em áreas remotas ou de difícil acesso, onde a adesão dos profissionais costuma ser menor.

De acordo com profissionais, o programa é importante e ajuda diversas cidades no Estado, mas em muitos casos a falta de estrutura nas unidades básicas, dificuldades de locomoção e distância são fatores que tornam essas vagas menos atrativas ou motivos para desistência. “O problema não é só a vaga existir. O médico precisa encontrar condições mínimas para exercer seu trabalho e sem infraestrutura e apoio local, muitos desistem rapidamente”, explica uma gestora regional do programa, que preferiu não se identificar.

Segundo ela, é comum que médicos desistam pouco tempo após assumir o posto, principalmente em municípios menores. Isso aconteceu em Novo Mundo. O médico desistiu e agora um novo deve chegar.

Desafios e importância

Amanda Geovana Mendes Campos, 26, natural de Nova Brasilândia, atua em Carlinda (762 km ao norte de Cuiabá) desde abril de 2024, pelo Mais Médicos. Formada pela UPAP (Universidade Politécnica e Artística do Paraguai), ela encara um cenário típico da atenção primária em municípios do interior e confirma a infraestrutura básica, alta demanda e barreiras culturais. A estrutura de trabalho pode ser considerada média, com recursos básicos disponíveis. Embora ainda haja pontos a melhorar, é possível realizar um cuidado adequado.

Segundo ela, entre os desafios também estão a alta demanda e a forte cultura do uso de remédios caseiros, além da necessidade de investimento em estrutura e apoio multiprofissional. Mesmo diante dos desafios, reconhece o papel essencial do Mais Médicos na presença contínua de profissionais da saúde no local e a oportunidade de participar dele. “O programa realmente resolve o problema da falta de profissionais em várias cidades e, além disso, cria incentivos para a permanência”.

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