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Adeus refri zero? Pesquisa aponta maior risco de diabetes por consumo de adoçantes

O estudo aponta aumento de 38% no risco com refrigerantes diet, acima do observado em bebidas com açúcar, mas não há consenso entre especialistas; entenda

Produtos diet e bebidas com adoçantes artificiais já fazem parte do dia a dia de quem tenta cortar o açúcar. Mas especialistas destacam que a substituição não garante, necessariamente, uma alternativa mais saudável.Uma pesquisa feita pela Universidade Monash, na Austrália, e publicada em julho de 2025 na revista Diabetes & Metabolism, mostra que uma lata de refrigerante adoçado artificialmente por dia pode aumentar o risco de diabetes tipo 2 em 38%. O risco é ainda maior do que para quem consome bebidas adoçadas com açúcar, como refrigerantes comuns, cujo risco foi identificado em 23%.Os cientistas acreditam que o aumento está relacionado ao aspartame, já que consegue mudar o metabolismo da glicose. Além disso, o estudo ressalta que os adoçantes artificiais também podem trazer outros tipos de impacto para a saúde.“A ingestão elevada de aspartame […] resultou em uma resposta de insulina pós-prandial semelhante à da sacarose. […] A ingestão habitual elevada de sacarina e sucralose perturba o microbioma intestinal, prejudicando a tolerância à glicose em indivíduos saudáveis ao longo de apenas duas semanas”, escreveram os autores do estudo.

Em 2019, 102,3 mil pessoas morreram no Brasil devido ao consumo de álcool, como mostram dados da Organização Mundial de Saúde (OMS)

Por outro lado, o estudo não é um consenso entre profissionais da área. Em entrevista ao jornal O Globo, Simone van de Sande Lee, diretora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), disse que ainda não é possível afirmar que adoçantes realmente aumentam o risco de desenvolver qualquer doença.

Ela destaca que a conclusão do estudo australiano pode ser uma “causalidade reversa”, que acontece quando a relação de causa e efeito entre duas variáveis não é interpretada corretamente.

De acordo com a especialista, o fenômeno pode estar ligado ao fato de que pessoas com maior propensão a doenças metabólicas recorrem aos adoçantes como medida preventiva. Além disso, muitas dessas pessoas tendem a ter uma dieta mais rica em alimentos ultraprocessados em comparação àquelas que consomem menos adoçantes.

Os estudos que sugerem associação entre adoçantes artificiais e doenças metabólicas, segundo Simone, são de natureza observacional. Ela destaca que esse tipo de pesquisa não estabelece causa e efeito, pois está sujeito a diversos fatores de confusão. Apesar dos ajustes estatísticos realizados, tais correções não eliminam completamente esses vieses. Por isso, reforça que investigações observacionais servem para levantar hipóteses, não para definir causalidade.

A especialista também chama atenção para a forma como os produtos diet e adoçados artificialmente são fabricados. De acordo com ela, costumam ser ultraprocessados, o que reforça a importância de priorizar alimentos in natura, de origem vegetal ou animal. No entanto, substituir essas versões por opções com açúcar adicionado também não é a alternativa mais saudável.

Ela acrescenta que:

  • A evidência científica sobre os prejuízos do consumo excessivo de açúcar é mais robusta;
  • Portanto, trocar refrigerantes diet por versões açucaradas, apenas por receio do adoçante, não seria uma decisão benéfica.

O que dizem as organizações

Em 2023, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso) publicaram um posicionamento conjunto sobre a segurança e a finalidade dos adoçantes artificiais. A iniciativa respondeu a um comunicado anterior da Organização Mundial da Saúde (OMS), que desaconselhava o uso desses produtos para controle de peso ou redução do risco de doenças crônicas.

As entidades brasileiras ressaltaram que:

  • A substituição do açúcar por adoçantes pode ajudar a reduzir a ingestão diária de açúcares;
  • Esses compostos, embora não tenham valor nutricional, não apresentam evidências consistentes de efeitos adversos em estudos observacionais.

A Associação Americana de Diabetes, em sua diretriz de 2025, também apoiou o uso de adoçantes como substitutos do açúcar. A recomendação, porém, é que pessoas com pré-diabetes ou diabetes deem preferência à água. Para a entidade, trata-se de uma estratégia válida de redução do consumo de calorias e carboidratos.

Sem açúcar

Especialistas explicam que produtos diet não são necessariamente escolhas saudáveis: continuam sendo ultraprocessados, pobres em nutrientes e, muitas vezes, mantêm o paladar condicionado ao sabor doce. O consumo frequente de adoçantes pode afetar a saciedade, aumentar o desejo por alimentos calóricos, alterar a microbiota intestinal e induzir a exageros alimentares.

A alternativa mais recomendada é investir em uma reeducação alimentar, valorizando alimentos in natura, fibras e proteínas. Substituições simples, como iogurte natural com frutas, smoothies, panquecas de banana ou bebidas naturais (água com gás, chá gelado caseiro, kombucha, água aromatizada), ajudam a reduzir a dependência do doce.

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