Premiações na produção de queijos artesanais, como as colecionadas pelo casal Larissa Berté e Silas Barbosa Júnior, não são exceções em Mato Grosso.
As medalhas deles se somaram a centenas de prêmios acumulados por Mato Grosso, na última década.
Prêmios que destacam a qualidade do queijo produzido por famílias que se dedicam à arte queijeira, doces e outros derivados do leite.
Mato Grosso é detentor do maior rebanho bovino do Brasil, com 33 milhões de cabeças de gado.
O Estado tem quase 9 bovinos para cada morador, comparado à população estadual de 3,8 milhões de habitantes.
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A história do casal de médicos como produtores de queijo é recente, tem menos de cinco anos
Então, a principal matéria prima, o leite, não falta por aqui.
No mês passado, na 7ª edição do Prêmio Queijo Brasil, realizada em Blumenau (SC), o Estado conquistou 50 medalhas, sendo 8 de ouro, 24 de prata e 18 de bronze.
A comitiva de produtores e técnicos participantes foi organizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso (Sebrae/MT).
“Mato Grosso está escrevendo uma nova história para os queijos”, analisa Willians Costa, gestor de Agronegócios da Regional Metropolitana do órgão.
“Esse resultado reafirma o potencial e a qualidade dos produtos lácteos regionais”, assinala ele.
“O Sebrae atua há, pelo menos, 15 anos na melhoria da produtividade e nos processos da cadeia leiteira em Mato Grosso”, reforça Valéria Pires, gestora estadual de Agronegócio do Sebrae.
“Buscamos atuar olhando para cada uma das propriedades como um empreendimento rural que necessita de gestão, controle e planejamento”, acrescenta Valéria.
De acordo com a gestora, as missões técnicas para outros estados têm mostrado o potencial dos queijos e derivados lácteos produzidos aqui frente a produtos de outras localidades.
Mas, além dos eventos externos, o Estado está criando sua própria tradição em exposições e concursos.
Um deles é o Concurso de Queijos e Produtos Lácteos de Mato Grosso.
Esse ocorreu pela primeira vez em 2024, em uma parceria do Sebrae com o Governo do Estado e órgãos de setores industrial e rural, como Fiemt e Senar.
A 2ª edição, agora junto com o Festival do Queijo, já tem data.
Neste ano, acontecerá entre 23 e 25 de outubro, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá.
DADOS E INVESTIMENTOS – Em Mato Grosso, cerca de 300 produtores estão cadastrados no SIAPP/MT (Serviço de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte), de acordo com dados da Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (Seaf).
Desse total, 65% estão ligados à cadeia produtiva de leite e queijo.
O cadastro do SIAPP é uma espécie de selo de regularização que comprova a origem e qualidade da produção, permitindo que pequenos produtores acessem o mercado formal.
Eventos de queijos, por exemplo, exigem comprovação de regularização sanitária do ambiente e inspeção dos produtos.
Desde 2019, conforme a Seaf, o governo do Estado já investiu R$ 700 milhões em incentivo à produção e o desenvolvimento de cadeias do leite, mel, café, fruticultura, mandioca, entre outras.
Aqui, a agricultura familiar representa quase 70% da produção leiteira e, consequentemente, de outros derivados do leite.
Em 2023, a produção de leite em Mato Grosso ultrapassou 455 milhões de litros, o equivalente a cerca de 120 litros por habitante, segundo a pesquisa mais recente do IBGE.



