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Correios: acumulando surpresas desagradáveis

Está atolada em dívidas e milhares de reclamações sobre a qualidade (falta de) dos serviços postais

Definitivamente, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos(ECT) não é mais a mesma.

Está atolada em dívidas e milhares de reclamações sobre a qualidade (falta de) dos serviços postais.

A outrora maior e mais eficiente empresa estatal de regime público-privada está vivendo um processo acelerado rumo à insolvência.

Um levantamento recente sobre denúncias apontou que este ano, entre janeiro e junho, os Correios acumularam cerca de 60 mil reclamações.

Os registros são públicos e estão em uma plataforma especializada na defesa do consumidor.

Desse total, em apenas 34% os consumidores obtiveram respostas às demandas.

Nos outros 66%, ainda esperam um posicionamento da empresa.

As reclamações são sobre atrasos e não entrega de correspondências e mercadorias.

Este ano, para agravar mais o declínio, a Agência Nacional de Aviação Civil chegou a suspender voos com cargas da empresa.

Suspendeu, entre outros motivos, por descumprimento das normas de segurança para transportes.

E no mês passado, a empresa adiou o pagamento de diversas obrigações financeiras que somam R$ 2,75 bilhões.

A medida foi uma tentativa de preservar a liquidez e reequilibrar o fluxo de caixa.

Uma espécie de última cartada para amenizar os impactos dos prejuízos acumulados ininterruptamente nos últimos dois anos.

Em 2024, os Correios fecharam o ano com um prejuízo de R$ 2,6 bilhões.

Diante de um quadro econômico tão devastador, não é difícil ter sido, estar sendo ou conhecer alguém que sofreu prejuízo com entregas dos Correios.

O presente do Dia dos Namorados do Joaquim, por exemplo, não chegou a tempo das comemorações.

A outrora maior e mais eficiente empresa estatal de regime público-privada está vivendo um processo acelerado rumo à insolvência

O atraso, de 40 dias, deixou a namorada, Cris, bastante chateada.

Ela queria celebrar o 12 de junho em grande estilo, com um ‘plus’ a mais no

relacionamento.

A ideia era surpreender o namorado com um mimo íntimo e pessoal que, sabia ela, ele gostava.

Era tão exclusivo que ela teve dificuldade de encontrar disponível no mercado.

Todavia, em julho, quando o presente do José finalmente chegou, o relacionamento já havia chegado ao fim.

Com algo tão atipicamente pessoal, Cris decidiu enviar o presente ao agora ex-namorado.

A decisão não foi suficiente para reatar o namoro.

O que os Correios estão fazendo, também não está sendo suficiente para reerguer a empresa.

Então, assim como no namoro do Joaquim com a Cris, o desfecho da estatal que antes nos orgulhava e agora nos envergonha permanece sendo uma incógnita.

Com a diferença de que a questão dos Correios não se restringe ao campo privado.

O que acontecer será da nossa conta e pesará no nosso bolso.

Voltou à discussão, a proposta de aporte de dinheiro público para salvar a empresa.

Fala-se em R$ 5 bilhões para reorganizar as finanças.

ALECY ALVES é jornalista e bacharel em Serviço Social.

 

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