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Quilombolas em MT vivem mais, mas sofrem com abandono, aponta IBGE

Dados do IBGE revelam que o estado tem a maior proporção de idosos entre quilombolas que vivem em áreas rurais e enfrenta precariedade no atendimento básico em comunidades tradicionais.

Mato Grosso apresenta a maior taxa de envelhecimento do Brasil entre a população quilombola residente em áreas rurais, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sexta-feira (9. O levantamento é parte da 23ª divulgação temática do Censo Demográfico 2022, que detalha aspectos sociais, demográficos e de infraestrutura das comunidades quilombolas no país.

Segundo o estudo, para cada 100 quilombolas com até 14 anos em áreas rurais mato-grossenses, há 92 idosos com 60 anos ou mais — o maior índice do país nesse recorte. O envelhecimento se acentua ainda mais nos territórios oficialmente delimitados, onde a relação chega a 99 idosos para cada 100 jovens.

A média geral de envelhecimento da população quilombola no estado também é elevada: 76,93, o terceiro maior índice do Brasil, atrás apenas do Rio Grande do Sul (82,69) e de Minas Gerais (81,37).

Apesar de a maior parte da população quilombola brasileira viver em zonas rurais (61,7%), Mato Grosso vai na contramão dessa tendência: 55,49% dos 11.729 quilombolas identificados no estado vivem em áreas urbanas. O índice coloca Mato Grosso como a 7ª unidade da federação com maior proporção de quilombolas em zonas urbanas, superando estados como São Paulo, Bahia e Minas Gerais.

Saneamento e infraestrutura precária

O levantamento também escancara desigualdades no acesso a serviços básicos. Mato Grosso aparece com o 3º pior índice do Brasil no atendimento de coleta de lixo em domicílios localizados dentro de Territórios Quilombolas: apenas 1,8% da população dessas áreas é atendida por serviço regular de coleta ou conta com caçambas — atrás apenas de Piauí (0,3%) e Amazonas (0%).

Ao todo, 62,6% dos domicílios com pelo menos um morador quilombola convivem com alguma forma de precariedade em saneamento básico, seja na água, no esgoto ou na destinação do lixo. Em áreas rurais, o índice salta para 93,6%, e nos territórios oficialmente reconhecidos a situação é ainda mais crítica: 99,4% dos domicílios enfrentam pelo menos uma dessas deficiências.

Alfabetização abaixo da média

Outro ponto sensível apontado pelo Censo é o índice de alfabetização. Em Mato Grosso, 86,55% das pessoas quilombolas com 15 anos ou mais sabem ler e escrever, número inferior à média estadual da população geral (94,19%). A taxa de analfabetismo entre os quilombolas é de 13,45%, mais que o dobro da média estadual (5,81%). Nas áreas rurais, o analfabetismo atinge quase 20% da população quilombola.

A dura realidade quilombola em MT, segundo o IBGE
????Envelhecimento????
MT tem o maior índice de envelhecimento entre quilombolas rurais do país
???? 92 idosos para cada 100 crianças (0–14 anos) em áreas rurais.
???? Índice mais alto do Brasil.
????Urbanização????
Mais da metade dos quilombolas em MT vive em áreas urbanas
???? 55,49% vivem em áreas urbanas
????️ 7º maior percentual do Brasil entre os estados.
????Coleta de Lixo????
Só 1,8% dos quilombolas em territórios têm coleta de lixo
???? 3º pior índice do Brasil
???? A maioria queima, enterra ou descarta em terrenos baldios.
????Alfabetização????
Taxa de analfabetismo é mais que o dobro da média estadual
???? 13,45% dos quilombolas com 15 anos ou mais são analfabetos
???? Média da população de MT: 5,81%
???? Em áreas rurais: 19,92%
????Saneamento precário????
62,6% dos domicílios convivem com precariedade em água, esgoto ou lixo
???? Rurais: 93,6%
???? Em territórios reconhecidos: 99,4% nessa situação
????Média de moradores por domicílio????
Quilombolas têm domicílios mais cheios que a média do estado
????‍????‍???? Quilombolas: 3,06 pessoas/domicílio
???? MT geral: 2,84 pessoas/domicílio

Composição familiar e domicílios

Os dados mostram que 64,9% das unidades domésticas com presença quilombola têm até três moradores, com uma média geral de 3,06 pessoas por domicílio. Nas áreas urbanas, a média sobe para 3,17, enquanto nas zonas rurais é de 2,91.

A maioria das unidades é composta por pessoas responsáveis, cônjuges e filhos — 30,29% dos domicílios —, com 89% dos responsáveis sendo quilombolas. A proporção de mulheres como responsáveis é maior nas áreas urbanas (52,5%), mas se inverte nas áreas rurais (60% são homens). Já dentro dos territórios oficialmente reconhecidos, as mulheres voltam a liderar a responsabilidade pelos lares, com 52,4%.

Mortes e sobremortalidade masculina

Entre agosto de 2021 e julho de 2022, foram registrados 102 óbitos em domicílios com pelo menos um morador quilombola em Mato Grosso. Destes, 57,8% eram de pessoas com 60 anos ou mais. A sobremortalidade masculina é evidente na faixa etária de 20 a 24 anos: a cada morte de uma mulher, foram registradas quatro mortes de homens.

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