Além da força de recomendação, um segundo aspecto foi analisado: o chamado nível de evidência, que é tão maior quanto o número de ensaios clínicos bem conduzidos e que respaldem o uso. Dos medicamentos, 39% têm evidência baixa, muito baixa ou ausente, o que significa que podem ter base em ensaios clínicos com um pequeno número de pacientes e/ou com falhas metodológicas que causam interpretação incorreta das evidências.
Risco à saúde?
Por fim, outro aspecto avaliado foi o grau de risco para a população.
- 95% dos remédios não possuem informações confiáveis de segurança para gestantes;
- 87% não possuem informações sobre o uso durante a lactação.
Entre 112 fármacos classificados para uso durante a gravidez:
- 55% apresentaram evidências de que podem trazer algum risco ao feto;
- 40% não possuem evidência de segurança durante a gestação;
- apenas 3% dos analisados foram considerados, de fato, seguros para uso no período;
- Apenas 5 medicamentos oferecem risco fetal mínimo.
Outro problema observado pelos pesquisadores é o uso pediátrico dessas drogas. “Muitos são utilizados por crianças, mas muitas pesquisas apresentam barreiras de dilema ético, nas quais as evidências de eficácia e segurança são baseadas em pesquisas que envolvem adultos, e adaptam esses resultados, como ajuste de dose de acordo com o peso”, afirma a pesquisadora da UnB Nara Laismann, autora principal do estudo.
Entre os medicamentos mais populares nas farmácias, o paracetamol é um dos que mais chamou atenção dos pesquisadores. Muitas pessoas fazem uso indiscriminado dele, o que pode causar riscos de toxicidade, alerta a cientista. Há risco de insuficiência hepática e morte.
Por que sem prescrição médica?
Os medicamentos isentos de prescrição são classificados dessa forma pela Instrução Normativa n° 120 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2022. Ao todo, foram considerados na análise 188 fármacos, em 376 apresentações, como comprimidos e xaropes.
“São profissionais de saúde muito capacitados e que podem promover o autocuidado apoiado, ajudando o paciente na automedicação guiada”, diz a pesquisadora. “A automedicação é uma prática comum, mas que pode ser perigosa e trazer vários problemas, pois pode mascarar doenças e trazer algum potencial de interação medicamentosa. Ou ainda o medicamento pode não ser o melhor para aquele paciente”, diz.


