A região Centro-Oeste registrou um aumento médio de 130% nas passagens aéreas desde a pandemia, superando a média nacional de 118%, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A elevação nos preços evidencia a falta de concorrência no setor aéreo e os desafios estruturais enfrentados pelas regiões brasileiras com menor oferta de alternativas viárias.
O dado foi apresentado nessa quarta-feira (26), durante o evento Desafios da Aviação Regional e os Impactos para o Desenvolvimento do País, realizado em Brasília.
O encontro reuniu representantes do setor aéreo, parlamentares e dirigentes de entidades de turismo para debater soluções de curto e médio prazo.
Ao fim, foi anunciado um grupo de trabalho com participação da CNC, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Congresso Nacional e do trade turístico.
Alta dos preços afeta conectividade e mobilidade
O levantamento da CNC mostra que o aumento médio no país foi de 118%, com variações regionais significativas.
Na Região Norte, os preços nas passagens subiram 328%, no Nordeste, 134%, e no Centro-Oeste, 130%. A região é uma das mais dependentes do transporte aéreo devido à limitação da malha rodoviária, o que torna os impactos ainda mais expressivos.
Segundo a CNC, o mercado aéreo brasileiro é altamente concentrado: três companhias controlam 99,8% do setor, o que reduz a concorrência e mantém os preços em patamares elevados, mesmo com a demanda aquecida.

Entre as propostas debatidas no evento estão a abertura dos céus brasileiros para novos entrantes, a ampliação de investimentos em aeroportos regionais, subsídios ao querosene de aviação (QAV) — especialmente nas regiões mais isoladas — e a isenção de tarifas aeroportuárias em rotas estratégicas.
Também serão discutidas alterações legais para reduzir a judicialização do setor aéreo, que gera altos custos às companhias e impacta a operação.
O grupo de trabalho será oficializado nas próximas semanas, com previsão de apresentar uma proposta técnica e legislativa até o segundo semestre. A CNC ficará responsável pela coordenação dos trabalhos, enquanto Anac e parlamentares conduzirão os ajustes regulatórios.
A expectativa é que as medidas ajudem a reduzir os custos das passagens, ampliar a conectividade regional e tornar o setor mais competitivo e acessível à população.


