Mulheres negras representam 74,2% das trabalhadoras em grandes empresas de Mato Grosso, mas seguem com os menores salários, segundo dados do Relatório de Transparência Salarial divulgados nessa segunda-feira (27) pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres.
Em dezembro de 2025, o estado contabilizava 912 empresas com 100 ou mais empregados, responsáveis por 259,1 mil vínculos formais. Desse total, 95,6 mil eram ocupados por mulheres.
Apesar da forte presença, a desigualdade salarial é acentuada. Mulheres negras receberam, em média, R$ 2.807, enquanto mulheres não negras tiveram rendimento de R$ 3.988. Entre os homens, os salários são mais altos em todos os recortes, chegando a R$ 5.514 entre não negros.
Mesmo representando 36,9% dos vínculos nessas empresas em Mato Grosso, as mulheres ainda recebem, em média, 28,4% a menos que os homens, o que evidencia a desigualdade de gênero e raça.
No recorte geral, os homens seguem como maioria nas grandes empresas do estado, com 163,4 mil vínculos formais, frente a 95,6 mil ocupados por mulheres. Entre eles, 76,5% são negros e 23,4% não negros, proporção semelhante à observada entre as mulheres.
Mercado de trabalho em grandes empresas
Empresas com 100 ou mais empregados • Dez/2025
| Grupo | Salário médio |
|---|---|
| Mulheres negras | R$ 2.807 |
| Mulheres não negras | R$ 3.988 |
| Homens negros | R$ 3.993 |
| Homens não negros | R$ 5.514 |
Cenário nacional
No Brasil, o Relatório de Transparência Salarial aponta que o cenário segue a mesma tendência observada em Mato Grosso. O país soma 53,5 mil empresas com 100 ou mais empregados, que concentram 19,3 milhões de vínculos formais de trabalho. Desse total, 8 milhões são ocupados por mulheres, sendo 4,2 milhões por mulheres negras.
O levantamento também aponta crescimento da participação feminina, especialmente entre mulheres pretas e pardas, cujo número de vínculos aumentou 29% entre 2023 e 2025. No total, o emprego feminino cresceu 11% no período.
Apesar do avanço, a desigualdade salarial persiste. Em 2025, as mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado com empresas desse porte.
Panorama nacional
Empresas com 100+ empregados • Dez/2025
Políticas e gestão empresarial no país
O relatório também indica avanços na presença feminina em cargos de liderança. O número de empresas com mulheres em funções de gerência e direção suficientes para cálculo de paridade salarial cresceu 12%, chegando a 13,7 mil estabelecimentos no país.
Além disso, parte das empresas passou a adotar políticas de inclusão. Entre elas, 7% informaram manter iniciativas de contratação de mulheres vítimas de violência doméstica, com maior incidência em companhias de grande porte.
Políticas e inclusão nas empresas
Avanços em grandes empresas no Brasil
+12%
Crescimento no número de empresas com mulheres em cargos de liderança, totalizando 13,7 mil estabelecimentos com base para análise de paridade salarial.
7%
Empresas que adotam políticas de contratação de mulheres vítimas de violência doméstica, com maior presença em companhias de grande porte.
Exemplo estadual: Ceará
Dados do painel também mostram diferenças entre os estados. No Ceará, por exemplo, 25,1% das empresas com 100 ou mais empregados possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres. Entre essas ações, 18% são voltadas a mulheres negras, 16,9% a mulheres com deficiência, 14,8% a mulheres LGBTQIAP+ e 4,7% a vítimas de violência doméstica.
Mesmo com o avanço na participação feminina e na adoção de políticas de inclusão, o relatório aponta que a desigualdade no mercado de trabalho brasileiro segue marcada por diferenças de gênero e raça, com impactos diretos sobre renda e acesso a cargos mais bem remunerados.
Desigualdade estrutural
Segundo o relatório, a diferença salarial entre homens e mulheres não se resume aos valores pagos, mas está relacionada também às funções ocupadas, às condições de trabalho e ao acesso a direitos e oportunidades dentro das empresas.
O documento indica ainda que a desigualdade tende a se acentuar em cargos de maior remuneração, onde a presença feminina (especialmente de mulheres negras) é menor.
Nesse contexto, a equiparação salarial aparece como parte de um desafio mais amplo, que envolve a promoção da igualdade de oportunidades e a ampliação da presença de mulheres em posições de liderança no mercado de trabalho.



