Cerca de 6,5% da população de Mato Grosso ainda utiliza lenha e carvão para preparar alimentos, segundo dados de 2025 compilados pelo projeto Brasil em Mapas, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número é menor que a média do Centro-Oeste (8,9%), mas revela que milhares de famílias ainda dependem de biomassa por questões econômicas, culturais e de acesso à energia moderna.
No Centro-Oeste, a proporção de pessoas que cozinham com lenha ou carvão caiu de 47,8% em 1990 para 8,9% em 2025, impulsionada pela urbanização e pela popularização do gás de cozinha.
No Brasil, a queda foi ainda mais expressiva. Em 1985, mais da metade da população (55,5%) dependia exclusivamente de lenha ou carvão para cozinhar. Em 2025, esse percentual caiu para 14,5%, o equivalente a cerca de 30,9 milhões de pessoas. O avanço foi impulsionado principalmente pela expansão do acesso ao gás de cozinha.
Desigualdade social e risco à saúde
Apesar da transição energética, cerca de 11 milhões de lares brasileiros ainda dependem exclusivamente de lenha e carvão, e entre famílias de baixa renda o percentual chega a 25%. Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que, em áreas rurais, 90% da lenha é coletada sem custo, o que evidencia a relação direta entre pobreza e uso da biomassa.
Especialistas alertam que a fumaça gerada pela lenha pode causar níveis de poluição de 20 a 40 vezes acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afetando principalmente mulheres e crianças, que passam mais tempo próximos ao fogão.

O mapa revela que, embora o Centro-Oeste tenha avançado com a urbanização e o acesso ao gás, o uso da lenha ainda persiste por necessidade econômica e questões culturais, especialmente em áreas rurais e regiões mais afastadas dos centros urbanos.
Enquanto o Sudeste apresenta menos de 6% da população cozinhando com biomassa, e estados como Rio de Janeiro e São Paulo registram menos de 3%, o Norte e o Sul ainda mantêm índices acima de 15%. No Pará, quase metade da população ainda usa lenha ou carvão.
Programa Gás do Povo
Em 2025, o Governo do Brasil iniciou a implementação do Programa Gás do Povo, uma política pública voltada a garantir acesso ao gás de cozinha para famílias de baixa renda em todo o país. A iniciativa prevê o fornecimento de um vale para recarga do botijão, reduzindo o custo do preparo de alimentos e combatendo a chamada pobreza energética.
O programa é coordenado pelos ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e de Minas e Energia (MME), com participação da Caixa, e tem como meta atender 15 milhões de famílias, cerca de 50 milhões de pessoas, em todos os 5.571 municípios brasileiros. Em janeiro, a iniciativa começou a ser expandida para 17 capitais, incluindo Cuiabá.
Quem tem direito ao Programa Gás do Povo
- Ser beneficiária do Bolsa Família;
- Ter pelo menos duas pessoas no núcleo familiar;
- Ter renda per capita de até meio salário-mínimo;
- Estar com o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado nos últimos 24 meses;
- Ter o CPF do Responsável Familiar regular;
- Não apresentar pendências cadastrais (como averiguação cadastral ou registro de óbito).
???? Como funciona o benefício
• O governo fornece um vale para recarga do botijão de gás de cozinha (GLP).
• O objetivo é garantir acesso ao gás sem custo para famílias de baixa renda.
• A política pretende alcançar 15 milhões de famílias em todo o país.


