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Focos de calor triplicam em agosto e colocam MT em alerta

Estado, que lidera ranking nacional, registrou 2.280 ocorrências em apenas 20 dias, ante 746, durante todo o mês de julho

Mato Grosso entrou na fase mais crítica da temporada de queimadas, com uma rápida escalada dos focos de calor e incêndios florestais espalhados pelo território.

Somente nos primeiros 20 dias de agosto, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram 2.280 focos de calor no Estado, mais de três vezes os 746 registrados durante todo o mês de julho.

A diferença representa aumento de 205,6%, mesmo comparando apenas os primeiros 20 dias de agosto com os 31 dias de julho, e evidencia a intensificação das condições favoráveis ao fogo em meio ao calor e à baixa umidade.

INFO focos de calor MT

No acumulado de 2026, Mato Grosso chegou a 6.024 focos de calor, contra 5.535 no mesmo período de 2025.

A diferença corresponde a aproximadamente 8,8%.

O volume coloca Mato Grosso na liderança do ranking nacional, neste ano. Tocantins aparece em segundo, com 4.828 registros, seguido pelo Pará, com 4.257.

Mato Grosso tem, portanto, quase 1,2 mil focos a mais que o segundo colocado.

O avanço registrado pelos satélites já se traduz em uma extensa mobilização no terreno.

Até a manhã de sexta-feira (21), o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) mantinha equipes no combate a 13 incêndios florestais, distribuídos por Confresa, Santo Antônio de Leverger, Querência, Canarana, Peixoto de Azevedo, Matupá, Água Boa, Itiquira, São José do Rio Claro e Jangada.

Em apenas 24 horas, entre quarta (19) e quinta-feira (20), a corporação havia extinguido outros nove incêndios e mantinha três ocorrências controladas.

EMERGÊNCIA — Uma das situações que mobilizam maior estrutura está em Jangada (70 km ao Norte de Cuiabá).

O município decretou situação de emergência por 90 dias, diante da multiplicação dos focos, dos riscos à população, dos danos ambientais e materiais e da deterioração da qualidade do ar.

No município, a estratégia dos Bombeiros está concentrada em impedir o avanço das chamas sobre propriedades rurais, reduzir a intensidade do incêndio e eliminar pontos que possam provocar a reignição do fogo.

A operação mobiliza 19 militares, sete viaturas, uma pá carregadeira, um caminhão-pipa e duas aeronaves.

A concessionária responsável pela BR-364 também participa das ações nas margens da rodovia.

As aeronaves são empregadas tanto no combate direto quanto no acompanhamento das áreas atingidas, enquanto as equipes terrestres atuam na contenção das frentes de fogo.

“Em todas as ocorrências, as ações são realizadas de forma estratégica, com foco no combate direto às chamas, no monitoramento das áreas atingidas e na proteção de vidas, propriedades rurais e do meio ambiente”, informou o Corpo de Bombeiros.

20 MUNICÍPIOS — A pressão deste período se soma aos incêndios já enfrentados desde o começo da proibição do uso do fogo, em julho.

Nesse intervalo, o Corpo de Bombeiros informa ter extinguido incêndios em 20 municípios: Boa Esperança do Norte, Canarana, Dom Aquino, Chapada dos Guimarães, Colniza, Guarantã do Norte, Guiratinga, Nova Maringá, Paranatinga, Primavera do Leste, Ribeirão Cascalheira, Rosário Oeste, Rondonópolis, São Félix do Araguaia, União do Sul, Nova Ubiratã, Peixoto de Azevedo, Colíder, Lambari D’Oeste e Bom Jesus do Araguaia.

O balanço mostra que as ocorrências não estão concentradas em uma única região.

As frentes de combate alcançam municípios do Norte, Nordeste, Centro-Sul e Sudeste de Mato Grosso.

O período mais seco do ano aumenta a disponibilidade de vegetação ressecada e favorece a propagação das chamas, tornando qualquer ocorrência de fogo potencialmente mais difícil de controlar.

FOCO NÃO É INCÊNDIO — O Corpo de Bombeiros ressalta que os 6.024 registros contabilizados pelos satélites não significam a existência de 6.024 incêndios florestais.

O foco de calor é uma detecção feita por satélite de uma área que apresenta temperatura elevada. E pode ou não estar relacionada a uma ocorrência de fogo.

“O foco de calor é um indicativo de uma área com temperatura elevada, detectada por satélites, que pode ou não estar associada à ocorrência de fogo”, explica a corporação.

Já um incêndio florestal costuma produzir diversos focos de calor concentrados na mesma região.

Por isso, os registros do Inpe funcionam principalmente como ferramenta de monitoramento e identificação das áreas que exigem atenção.

Com a intensificação das ocorrências, permanece proibido o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026.

Nas áreas urbanas, a utilização do fogo é proibida durante todo o ano.

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