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Estudo da UFMT aponta que micose mais letal do Brasil demora anos para ser identificada

Transmitida pela inalação de esporos do solo, micose afeta principalmente trabalhadores rurais.

Pessoas infectadas pela micose sistêmica que mais mata no Brasil podem levar anos até descobrir a doença. É o que mostram dados reunidos a partir de atendimentos e pesquisas conduzidas na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que apontam para diagnósticos tardios da paracoccidioidomicose, muitas vezes feitos apenas quando o quadro já está avançado.

A doença é causada por fungos do gênero Paracoccidioides, presentes no solo, e é adquirida pela inalação de esporos. Por ser silenciosa no início, a micose costuma passar despercebida por longos períodos.

Quando o diagnóstico finalmente acontece, não é raro que o paciente já conviva com sequelas graves e irreversíveis.

Dados do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), em Cuiabá, mostram que, desde 2018, cerca de 1,7 mil exames de sorologia foram realizados, com aproximadamente 160 casos confirmados. Em muitos deles, os pacientes chegaram ao hospital após passar por diferentes avaliações e hipóteses clínicas sem resposta.

A atuação clínica e científica está ligada a pesquisas conduzidas por equipes da UFMT, incluindo a da professora Rosane Hahn, que há mais de três décadas estuda a micologia médica. Ela participou da identificação do Paracoccidioides lutzii, espécie predominante no Centro-Oeste, o que ajudou a aprimorar métodos de diagnóstico na região.

Segundo o Ministério da Saúde, não existe vacina nem forma de controle da paracoccidioidomicose. Por isso, a principal orientação é diagnosticar e tratar a doença o mais cedo possível, para evitar o agravamento do quadro e o surgimento de complicações.

Risco na poeira

Também é recomendado reduzir a exposição à poeira do solo, tanto em áreas rurais quanto periurbanas, especialmente durante atividades como escavação, terraplanagem e manuseio de vegetais.

Trabalhadores rurais e motoristas de trator, que lidam com poeira mais intensa no dia a dia, podem diminuir o risco usando máquinas com cabine fechada ou máscaras de proteção, quando disponíveis. Crianças e pessoas com o sistema imunológico comprometido devem evitar ambientes de risco no campo.

Em laboratórios, o cuidado deve ser redobrado: o manuseio do fungo precisa ser feito, sempre que possível, em locais seguros, para evitar contaminação.

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