Há muitas palavras com sentidos similares para denominar aquele que é capaz de pensar no próximo, em meio a dor da morte de quem que ama incondicionalmente.
Aos olhos da ciência médica, a morte, legal e irreversível, ocorre quando o cérebro para de funcionar.
Essa irreversibilidade chega com o diagnóstico de morte encefálica, condição atestada com protocolos rígidos por equipes médicas e uma série de exames e procedimentos.
No Brasil, entretanto, apenas uma de cada três famílias de pacientes com morte encefálica, quando abordadas em hospitais, autoriza a doação dos órgãos de seus entes.
Ou, ainda, de cada 14 pessoas que manifestam interesse em doar, apenas quatro a doação é realizada.
As famílias, mesmo diante da vontade expressada pelo parente, se recusam fazer a doação após a morte encefálica.
Esses dados são alguns dos apontados em diferentes pesquisas do Ministério da Saúde e universidades brasileiras sobre doação de órgãos no Brasil.
Por outro lado, 80 mil brasileiros esperam na fila por transplante de órgãos.
Desse total, 47 mil clamam por um rim e 33 mil por uma córnea, conforme levantamento do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
O Brasil atingiu a marca de 15 mil transplantes realizados no primeiro semestre de 2025.
Esse número representa um crescimento de 21% em relação ao mesmo período de 2022.
Até o dia 11 deste mês, Mato Grosso fez 14 captações de múltiplos órgãos para transplante, totalizando 32 órgãos.
Foram captados 22 rins, nove fígados e um coração, órgãos esses transportados para outros estados para a realização do transplante.
Apesar de aparentemente pequeno, os números de 2025 já superaram 2024 inteiro, ano em que foram realizadas 13 captações, de acordo com dados da Secretaria de Saúde de Mato Grosso (SES).
“Estamos colhendo os frutos de capacitações promovidas pela secretaria voltadas aos profissionais das unidades captadoras”, diz a secretária-adjunta do Complexo Regulador do Sistema Único de Saúde em Mato Grosso, Fabiana Bardi.
As capacitações, segundo Bardi, são voltadas à conscientização e à ampliação das captações e transplantes.
“É gratificante ver que, por meio da solidariedade e sensibilidade de uma família enlutada, outras pessoas terão uma nova chance de vida”, disse o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.
“É preciso agradecer aqueles que consentiram a captação dos órgãos e com esse ato salvaram vidas”, completa ele.
“Que cada vez mais a gente consiga conscientizar a população sobre a importância desses procedimentos”, destacou Figueiredo.


