quinta-feira, 4 junho 2026
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Condições de rodovias elevam custo do transporte em 39,4% em MT

Pesquisa CNT Rodovias 2025 avaliou 7.156 km de rodovias que cortam Mato Grosso e identificou 99 pontos críticos; estima-se que houve um consumo excessivo de 93,7 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento e um prejuízo de R$ 538,78 mi

Apesar de avanços no estado geral, as condições das rodovias federais e estaduais continuam a pressionar o custo do transporte rodoviário e a competitividade da economia em todo país. Somente em Mato Grosso, a precariedade da malha viária gera um aumento de gasto operacional do transporte de 39,4%, percentual maior que o verificado em nível nacional (31,2%). É o que aponta a 28ª Pesquisa CNT (Confederação Nacional do Transporte) de Rodovias 2025.

Realizado anualmente, o levantamento foi realizado de 30 de junho a 29 de julho deste ano. No Brasil, foram avaliados 114,197 km de estradas e identificados 2.246 pontos críticos, como buracos, erosão na pista, queda de barreira, ponte estreita ou caída, que interferem no fluxo normal do tráfego e podem trazer graves riscos à segurança dos usuários. No entanto, houve uma redução de 12,3% em relação ao ano anterior, com 2.446 ocorrências.

No Estado, foram avaliados 7.156 km, o que representa 6,3% do pesquisado em nível nacional. São 99 pontos críticos ao longo das estradas pavimentadas que cortam o território mato-grossense, o correspondente a 1,3 local crítico a cada 100 quilômetros de extensão.

Quanto ao estado geral, apenas 4,1% de extensão da malha viária estadual foi classificada como ótimo; 22,1% bom; 62,0% considerados regular; 10,8% ruim, e 1,0% como péssimo. A classificação do estado geral considera as três principais características: pavimento, sinalização e geometria da via.

Levando-se em consideração apenas o pavimento, 21,8% da extensão avaliada foram categorizadas como ótimo; 7,0% bom; 37,7% regular; 31,1% ruim e 2,4% péssimo. Há ainda 0,1%, com o pavimento totalmente destruído.

Em relação à sinalização, 10,3% tidos como ótimos; 47,8% bom; 31,5% regular; 7,0% ruim e 3,4% péssimo. Quanto à geometria da via ou traçado, 18,2% foram classificadas como ótimo; 12,1% bom; 36,4% regular; 27,6% ruim e 5,7% péssimo. “As pistas simples predominam em 92,7%. Falta acostamento em 66,6% dos trechos avaliados. 28,1 % dos trechos com curvas perigosas não têm sinalização”, traz a pesquisa.

As condições atuais contribuem para elevação dos gastos operacionais, devido ao aumento do tempo de viagem, do consumo de combustível e dos gastos com manutenção dos veículos. Segundo a CNT, quanto pior for a situação da via, maiores serão o consumo de combustível, o desgaste dos veículos e o tempo de deslocamento.

No caso de Mato Grosso, para recuperar as rodovias, com ações emergenciais, como reconstrução e restauração, e manutenção, são necessários R$ 7,05 bilhões. Já o prejuízo gerado pelos acidentes foi de R$ 580,47 milhões em 2024. No mesmo ano, o poder público gastou R$ 29,84 milhões com obras de infraestrutura rodoviária de transporte.

Em 2025, estima-se ainda que houve um consumo excessivo de 93,7 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento da malha rodoviária no Estado. Esse desperdício gerou um prejuízo R$ 538,78 milhões aos transportadores e uma emissão de 247,70 mil toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.

Ainda neste ano, do total de recursos (R$ 43,14 milhões) autorizados pelo Governo Federal para infraestrutura rodoviária especificamente no Estado, foram investidos R$ 24,24 milhões até novembro (56,2%).

No Brasil, o estudo mostra que, considerando os trechos classificados como bom, regular, ruim ou péssimo, estima-se que a qualidade do pavimento eleve, em média, em 31,2% os custos operacionais do transporte rodoviário. São 114.197 km de rodovias pavimentadas, com 37,9% da extensão pesquisada (43.301 km) em condições ótimas ou boas, ante 33,0% em 2024 (36.814 km).

Já os trechos avaliados como ruins ou péssimos caíram de 26,6% (29.776 km) para 19,1% (21.804 km). A categoria regular alcançou 43,0% (49.092 km) neste ano, frente a 40,4% (45.263 km) em 2024.

“Esta edição comprova que investimentos em infraestrutura geram resultados concretos. Reconhecemos os avanços recentes e os esforços do poder público para ampliar e qualificar a malha rodoviária brasileira. Já é possível perceber uma retomada no ritmo necessário de investimentos, mas é fundamental mantê-lo e ampliar ainda mais os recursos destinados ao setor”, afirmou Vander Costa, presidente do Sistema Transporte.

No geral, a má qualidade do pavimento gera desperdício anual estimado em R$ 7,2 bilhões somente com o consumo adicional de diesel, que é da ordem de 1,2 bilhão de litros. O valor é suficiente para financiar soluções de baixo carbono, como aquisição de caminhões elétricos, produção de combustíveis renováveis e ações de reflorestamento.

O Governo de Mato Grosso tem investido em melhorias das rodovias por meio de concessões e licitações, com foco em melhorias de infraestrutura e logística. Entre essas iniciativas, está a concessão de seis lotes de rodovias estaduais, num total de 2.104 quilômetros de estradas e um investimento previsto de R$ 8 bilhões para os próximos 30 anos.

Já na última quinta-feira (18), entregou mais 130 km de pista duplicada e quatro viadutos na BR-163, no trecho entre Cuiabá e Sinop. Com isso, o trecho já soma 230 km de duplicação concluídos, resultado de oito contratos que totalizam R$ 4,1 bilhões em investimentos. A obra tem apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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