O preço da cesta básica em Cuiabá voltou a subir na terceira semana de outubro, completando quatro semanas consecutivas de alta. O aumento de 0,25% elevou o custo médio dos 13 produtos pesquisados para R$ 937,20, conforme levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).
Além da sequência de reajustes, o levantamento revela uma diferença expressiva em relação ao ano passado. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a cesta custava R$ 788,74, o aumento acumulado chega a 18,82%, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias cuiabanas.
Segundo o IPF-MT, as dificuldades relacionadas à conservação, ao armazenamento, ao transporte e ao escoamento dos alimentos estão entre os fatores que ajudam a explicar as oscilações de preços. As condições climáticas também influenciam a qualidade dos produtos e sua disponibilidade para comercialização.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, alerta que a manutenção dos preços elevados pode provocar mudanças nos hábitos de consumo.
“A persistência de preços elevados pode levar os consumidores a substituir produtos, reduzir quantidades ou reorganizar as compras, com possíveis reflexos sobre o padrão de consumo e o movimento do comércio de alimentos”, afirma.
ALTAS E QUEDAS – Dos 13 produtos que compõem a cesta básica, cinco apresentaram redução de preço na terceira semana de outubro. Entretanto, as quedas não foram suficientes para compensar os reajustes registrados nos demais itens.
A carne bovina foi um dos principais destaques de alta, com valorização de 5,25% em apenas uma semana. O preço médio do produto chegou a R$ 49,87 por quilo, ficando 13,74% acima do valor registrado no mesmo período do ano passado.
De acordo com a análise do IPF-MT, a menor disponibilidade de animais em idade de abate, os custos elevados de produção e o aumento das exportações podem ter contribuído para restringir a oferta destinada ao mercado interno, pressionando os preços ao consumidor.
O comportamento da carne tem impacto importante sobre o custo da cesta básica, uma vez que o produto representa parcela significativa das despesas com alimentação.
Em sentido contrário, a banana apresentou a maior redução semanal entre os produtos destacados pelo levantamento. O preço caiu 9,19%, chegando à média de R$ 8,33 por quilo.
Segundo o instituto, a elevada umidade e o volume de chuvas podem ter retardado o processo de maturação da fruta, favorecendo o acúmulo de estoques e contribuindo para a redução dos preços.
A batata também ficou mais barata, com queda de 8,23% na semana. O preço médio passou para R$ 7,80 por quilo.
Apesar do recuo, o produto continua significativamente mais caro do que há um ano. Na comparação anual, a batata acumula valorização de 79,64%, uma das diferenças mais expressivas identificadas no levantamento.
A avaliação do IPF-MT é de que as chuvas não chegaram a interromper a colheita, mas podem ter prejudicado a qualidade dos tubérculos, reduzindo sua atratividade comercial e contribuindo para a queda dos preços na semana.
PODER DE COMPRA – A combinação de aumentos e reduções evidencia que a queda de preços de alguns alimentos não significa, necessariamente, diminuição do custo total da cesta básica.
O impacto depende do peso de cada produto no orçamento alimentar e da intensidade das variações registradas no período.
Para as famílias, a manutenção de preços elevados pode exigir adaptações, como a substituição de alimentos por opções mais baratas, a redução das quantidades adquiridas e a pesquisa de preços entre diferentes estabelecimentos.
O presidente da Fecomércio-MT ressalta que a formação dos preços envolve uma cadeia de fatores que vai além da produção agrícola.
“A dinâmica observada sinaliza que a disponibilidade de produtos no mercado não depende exclusivamente do volume colhido. Qualidade, conservação, transporte e escoamento também influenciam o valor que chega ao consumidor”, afirma Tião da Zaeli.
Na avaliação do instituto, a sequência de quatro semanas de alta reforça a necessidade de acompanhar o comportamento dos preços, especialmente em um período marcado por oscilações climáticas que podem afetar a oferta e a qualidade dos alimentos.
Para o consumidor cuiabano, o resultado é uma cesta básica que se aproxima de R$ 940 e exige uma parcela cada vez maior do orçamento doméstico.








